Em sua última coluna pro Notícias MTV, Rafael Grampá falou sobre o Quarto Mundo e a atual produção de quadrinhos independentes no Brasil, dando destaque para as revistas em quadrinhos do selo Mondo Urbano. Confiram a matéria no vídeo acima!

O Quarto Mundo está prestes a completar dois anos de atividade e várias coisas mudaram nesse tempo, tanto no mercado de quadrinhos brasileiros quanto no nosso próprio coletivo. Por isso, convém fazer uma releitura do Manifesto Quartomundista, que apesar de não ser um manifesto no sentido exato do termo, foi escrito com intuito de mostrar qual era a situação do mercado de quadrinhos em 2007 e o porquê da criação do nosso coletivo, assim como a que se propõe.
No entanto, o que não mudou é que ainda hoje é difícil definir o Quarto Mundo numa única palavra, sendo mais fácil defini-lo pelo o que ele não é: o Quarto Mundo não é uma editora, não é uma cooperativa, não é um selo de quadrinhos e não é uma distribuidora, ainda que exerça ações e que tenha características de cada um deles.
O objetivo principal do Quarto Mundo é viabilizar a existência de um mercado de quadrinhos independente-alternativo que sirva de base de sustentação para o mercado principal-mainstream das editoras. Se isso ocorre, esse mercado pode ser (re)alimentado com inovações técnicas e artísticas (que acontecem com maior intensidade no ambiente de experimentações das publicações independentes) e, principalmente, com novos quadrinistas que darão prosseguimento a produção. Dessa forma, o mercado dos quadrinhos se torna forte e contínuo, e não vive de ondas temporárias que se quebram, como até então acontecia.
Para cumprir esse objetivo, o Quarto Mundo está apoiado em um tripé tanto teórico, quanto prático.
O primeiro deles refere-se ao próprio funcionamento do mercado cultural hoje em dia que está apoiado na teoria econômica da Cauda Longa. O termo Cauda Longa foi criado em 2004 por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, e se popularizou através de um livro que ele escreveu intitulado The Long Tail. Em seu livro, Anderson analisa as alterações no mercado econômico, sobretudo na indústria cultural, em que ocorre um fenômeno de migração da cultura de massa para a cultura de nichos devido a convergência digital e da Internet, o que implica em um novo padrão de comportamento por parte dos consumidores.
O primeiro ramo da indústria cultural a sentir o impacto da Cauda Longa foi o da música, mas que já afeta, em maior ou menor grau, outros segmentos como os quadrinhos. Dentro do cenário dessa nova economia, fenômenos de venda como os X-Men do Jim Lee ou a Chiclete com Banana (para citarmos um exemplo nacional) serão bem mais raros. Cada vez mais deixaremos de ter esses grandes “hits” de vendas, assim como teremos uma queda nas tiragens ao mesmo tempo em que haverá um crescimento no número de títulos.
Dentro da Cauda Longa, o custo de manutenção de um produto muito procurado é igual ao custo de manutenção de um produto procurado apenas por um número mínimo de consumidores, então nichos que antes eram ignorados pelas grandes editoras passam agora a ter grande valor econômico para as pequenas editoras e os autores independentes.

Então o que mais interessa para o Quarto Mundo na Cauda Longa é que em um mercado de nicho, o que importa não é a quantidade, mas sim a variedade. Ou seja, mais vale termos 100 revistas com tiragem de mil exemplares do que uma única revista com tiragem de 100 mil. Tendo uma ampla variedade de títulos, nos mais diversos estilos e gêneros, as chances de um leitor se interessar por pelo menos um deles são bem maiores, pois você consegue atender a todo tipo de gosto.
Como as tiragens de nossas revistas são pequenas não há como ganharmos na economia de escala, mas aplicando o modelo da Cauda Longa podemos potencializar os nossos ganhos com a economia de escopo. E isso é feito sobretudo através do sistema de distribuição do nosso coletivo, como foi mais detalhadamente explicado neste post, e também através das vendas em eventos, feiras, shows, e pela própria Internet.
O segundo pilar no qual o Quarto Mundo está assentado é o que se convencionou chamar de Lei de Sturgeon. Essa lei diz que em uma produção cultural, 90% do que for produzido será medíocre, e apenas 10% será realmente genial. A Lei de Sturgeon, apesar de se tratar de um pensamento hiperbólico, pode ser aplicada a qualquer mercado cultural, o que inclui os quadrinhos. Em geral, o que chega ao Brasil é apenas a nata da produção mundial, então não percebemos a quantidade de títulos insignificantes que todo e qualquer mercado de quadrinhos estrangeiro (norte-americano, o europeu, o japonês, etc) possui. E não é diferente com o mercado de quadrinhos brasileiro.
O problema é que o leitor brasileiro também só percebe a nata da produção mundial, e quando olha para as tentativas de produções brasileiras, querem que essas produções já tenham logo de cara a genialidade que encontram nessas produções mundiais. Mas essas produções só chegaram a esse patamar porque foram forçadas a superar os 90% de seu próprio mercado. É quase que um darwinismo aplicado aos quadrinhos.
Sendo assim, a única forma de termos uma boa quantidade de títulos brasileiros nesses 10% de produção genial é tendo antes uma quantidade maior ainda de títulos nos 90%. Por isso, quanto mais quadrinistas se aventurarem a publicar de forma independente, melhor. Quanto mais quadrinistas publicando tivermos, mais acirrada será a “competição”, elevando o nível de qualidade da nossa produção.
Contudo, não devemos ser ingênuos, pois muitas das revistas publicadas atualmente não conseguirão sobreviver (o que não impede seus editores de tentarem de novo, com outras propostas e abordagem), mas as que sobreviverem, terão um nível de qualidade altíssimo.
No entanto para que isso aconteça é preciso antes de tudo que a revista encontre seu leitor. Muitas revistas em quadrinhos morrem prematuramente porque não conseguem chegar ao mínimo de leitores que poderiam atingir para sobreviverem e não porque são tecnicamente ou artisticamente ruins. Uma das atuações do Quarto Mundo é justamente não permitir que uma revista em quadrinhos independente morra por “infanticídio”. É preciso fazer com que ela encontre o seu público mínimo (o que o Kevin Kelly chama de os 1000 Fãs Verdadeiros) para ter tempo de crescer, amadurecer e assim se tornar competitiva se quiser futuramente atingir o seu potencial máximo de leitores.
De nada adianta, pro exemplo, tentar vender uma revista em quadrinhos de romance para um público de super-heróis, assim como será inútil tentar vender uma revista de super-heróis para um público que curte romance. Uma revista em quadrinhos só ganhará maturidade se tiver o feedback de seu próprio público leitor.
A proposta do Quarto Mundo é ajudar a encontrar os modos e os canais de venda corretos para cada tipo de HQ, onde ela possa descobrir o seu devido público leitor. Assim, se uma revista em quadrinhos conseguir chegar ao seu público e mesmo assim não tiver uma boa aceitação, saberemos de fato que é porque tal revista não possuí qualidades técnicas e artísticas suficientes para sobreviver dentro de sua própria proposta editorial, e não porque foi morta prematuramente sem sequer atingir seus potenciais leitores.
Por fim, o terceiro e último pilar do Quarto Mundo refere-se à organização do coletivo. Como já explicado, foi criado um Conselho Administrativo e também Núcleos de Atuação para melhor organizar as atividades do Quarto Mundo. No entanto, o nosso coletivo continua prezando por uma organização de colaboração livre e aberta entre seus integrantes.
Então, dentro desse modelo de organização, cada quadrinistas no Quarto Mundo é como se fosse uma célula de um organismo maior, que é o próprio coletivo. Como uma célula, cada um sabe a sua função para manter esse organismo vivo. Algumas células podem ter maiores atribuições do que outras, mas não há relação de superioridade ou inferioridade entre elas. E mais do que tudo, é preciso que haja confiança e companheirismo entre os membros do Quarto Mundo para que o coletivo possa continuar atuando cada vez melhor.
Para concluir, é com base nesses três pilares apresentados que o Quarto Mundo se propõe a ajudar os quadrinistas independentes a publicarem, distribuírem, divulgarem e venderem os seus quadrinhos. Para que assim, quem sabe um dia, possamos ter de fato um mercado de quadrinhos nacional grande, forte e contínuo, contendo uma variedade de HQs que antendam a todos os tipos de leitores e seus gostos. E nesses quase dois anos de existência do Quarto Mundo já pudemos perceber que estamos no caminho certo.


Final de semana com dois lançamentos independentes em São Paulo. Um deles é a primeira edição da revista Entrequadros, que reúne os trabalhos autorais do quadrinista Mário César. O lançamento acontece nesta sexta-feira, dia 19, a partir das 19h30, na Livraria HQ Mix (Praça Roosevelt, 142).
E também nesta sexta-feira a partir das 19h30, mas na Quanta Academia de Artes (Rua Dr. José de Queirós Aranha, 246), acontecerá o lançamento da revista Cabaret, conclusão da trilogia “Sexo, Drogas & Rock’n’Roll”, criada por Eduardo Medeiros, Mateus Santolouco e Rafael Albuquerque, que formam o selo independente Mondo Urbano. E eles ainda irão repetir o lançamento da Cabaret no sábado, dia 20, a partir das 14:00, na Comix Book Shop (Alameda Jaú, 1998 – Jardim Paulista).

Três lojas de quadrinhos estão realizando a 5° Feira de Quadrinho e Arte, que começou no dia 01 de junho e vai até o dia 07. Estão participando da iniciativa o Sebo Multiverso (Osasco); a Loja Nona Arte (Mogi das Cruzes) e a Pop Arts (Diadema). Cada loja está trazendo atividades específicas, como palestras, oficinas e lançamentos; além da presença de convidados entre autores e editores.
O Quarto Mundo estará presente no sábado e domingo (dias 06 e 07) na Loja Nona Arte (Mogi das Cruzes) com oficinas e bate papo. Para participar das Oficinas e Palestras, é necessário chegar com antecedência no local. A Loja Nona Arte fica na Rua Dr. Corrêa, n° 691, Centro de Mogi das Cruzes. A entrada é franca.
Segue abaixo a programação deste final de semana na loja Nona Arte:
Para mais informações sobre o evento nas três cidades, ligue para: Sebo Multiverso (Osasco) tel. (11) 3682-4989 - Pop Arts (Diadema) tel. (11) 4044-7943.

Neste domingo, dia 17, o Quarto Mundo estará participando da Feira de Artes da Vila Pompéia. A feira será das 9 as 19hs, e nosso espaço será na Barraca 250, na rua Tucuna (entre a Ministro Ferreira Alves e a Padre Chico).
Assim como no ano passado, quem comprar os quadrinhos em nossa barraca irá ganhar uma caricatura feita pelo Laudo ou pelo Omar. E para conhecer mais sobre a feira e conferir a programação das atividades e shows que acontecerão por lá, visite o blog do Centro Cultural Pompéia.
Então vejo todos vocês lá! =D
Acontece neste sábado, dia 09, o lançamento da quarta edição da Café Espacial, às 19:30, na livraria HQMix.
A Café Espacial #4 traz as HQs: Vida enquanto sonho (de Allan Ledo), K for knife (de Biu e Shiko Leite), Intercâmbio insólito de ideias absurdas (de Daniel Esteves e Mario Cau), Ping pong: platonismo orkutiano (de Sueli Mendes) e Um quadrinho (de Vinícius Mitchell e Fábio Lyra). A seção Café Literário traz os contos Contramão (de Sergio Chaves), Maldita Sandra (de Jana Lauxen) e Superfície (de Vivian Pizzinga).
A edição traz também: a seção Além do cinema, retratando a obra do cineasta Tim Burton (por Talita Prado); ilustrações de Laudo Ferreira; fotografias de Laura Gattaz; a seção Mais uma dose (por Elias Lascoski); a seção Arte revelada, com fotografias de Marcelo Kubotsu; e na seção Cafeína pura! entrevista com a banda The Cleaners (por Lídia Basoli) e resenhas do álbum Expurgo de Monaural. Capa: Shiko.
Descrição: 60 páginas, formato 14×21cm, capa colorida e miolo em preto e branco.
Neste sábado, dia 02 de maio, haverá na livraria HQMix o lançamento da quinta edição da revista Tempestade Cerebral, editada por Alex Mir. Como já virou tradição da revistas, essa edição traz duas capas, uma é do Escorpião de Prata e foi feita pelo Caio Majado, e a outra do Lorde Kramus, tem arte de Jader Corrêa (que também assina a arte da história do Kramus desta edição) e cores de Matias Streb.
E esta quinta edição da Tempestade Cerebral vem com duas estréias:
Lorde Kramus: Vítima de um naufrágio, Kramus vai parar em uma ilha onde é resgatado pelos Nomaios. E só ele pode salvá-los de sua aparente destruição. História completa por Gil Mendes e Jader Corrêa!
Sedna, a pirata: Sedna e Vlaustor são dois piratas que vivem se metendo em confusões por causa de sua ganância. Nesta aventura, eles se envolvem com uma seita religiosa e estão prestes a perder suas vidas. História completa! Roteiro de Dark Marcos, desenhos de Laudo e arte-final de Omar Viñole.
E ainda:
Escorpião de Prata: Depois de fugir dos policiais na aventura anterior, o Escorpião de Prata enfrenta um inimigo nada amistoso: o Enfaixado! É a segunda parte do arco “Corre, Escorpião, corre!”, que tem roteiro de Eloyr Pacheco e arte de Marcelo Salaza, Márcia Casaqueviti, Kal J. Moon e Lucas Tanaka.
Valkíria: O fim da jornada em busca da Fonte da Juventude, o fim do mistério que envolve Cassarin e muitas outras surpresas aguardam nossa guerreira. Por Alex Mir e Alex Genaro.
Max Power: Para tirar um homem do coma, Max precisa da ajuda de um tipo de pessoa que ele não gosta nem um pouco: paranormais. Roteiro de Marcos Franco, desenhos de Luke Oliver e arte-final de Simião.
E mais: um mini-pôster totalmente grátis!!!
Tempestade Cerebral 5
48 páginas
Formato americano
R$ 4,00
Capa colorida, miolo PB
Dia 24 de Abril - Sexta-feira
Arte em Andamento é um evento que reune artistas de todas as áreas. Acontece na primeira e terceira segundas-feiras do mês, no Arte Hostel, no Catete.
Porém, nesse dia o Arte em Andamento é especial, dedicado aos quadrinhos e vai acontecer no Clube Antonieta.
Teremos a presença de Daniel Esteves e Laudo Ferreira, ganhadores do Prêmio Angelo Agostini de melhores roteirista e desenhista de 2008.
A banca do Quarto Mundo, um coletivo de quadrinhistas independentes brasileiros, vai estar lá também.
Ah!!! Vamos ter um eletrizante concurso de cosplay.
Vai ser uma festa pra Nerd nenhum botar defeito!!!!
O clube Antonieta é uma boate em copacabana que funciona com uma lista de convidados, por isso mesmo se quiser participar da nossa festa basta enviar o seu nome e de seus amigos para festanerd@gmail.com, sem o nome na lista de convidados não será possivel a entrada.
Local: Clube Antonieta - Rua Belfort Roxo, 58 D praça do Lido - Copacabana.
Horário: Arte em Andamento começa às 20 hs e a Festa Nerd às 23 hs
Valor: Arte em Andamento R$ 10,00
Festa Nerd das 23 às 00 hs R$ 10,00
das 00 à 01 h R$ 15,00
depois da 1 da manhã R$ 20,00
Dia 25 de Abril - Sábado
Os artistas Laudo (Depois da Meia Noite, Tianinha), Daniel
Esteves (Nanquim Descartável, Front), Will (Subterrâneo, Sideralman) e
Jozz (Zine Royale, Circo de Luca), palestram a respeito do Quarto Mundo,
Quadrinhos Independentes, de processo de trabalho e novos projetos
Local: Impacto Quadrinhos - Rua Mena Barreto, 35 - Botafogo
Tel: (21) 3353.5422
Horário: das 13 às 16 horas
Valor: Para a oficina de desenho será cobrado o valor de R$ 10,00
A Bodega do Leo é uma iniciativa do roteirista Leonardo Santana que conta com a parceria de diversos editores e autores nacionais e que visa incentivar os quadrinhos independentes nacionais através de um espaço democrático onde os autores podem ofertar e divulgar seus trabalhos de uma maneira fácil, rápida e eficiente para o leitor.
E aqui estão os títulos que foram disponibilizados no mês de março :
E não deixem de votar nas revistas para nos ajudar a escolher as melhores revistas da nossa loja.
Acontece no próximo sábado, dia 28, o lançamento da quinta edição de Verdugo - O Inacreditável de autoria de Verônica Saiki, umas das mais recentes integrantes do Quarto Mundo. O lançamento será na Kingdom Comics (SDS Bl Q s/n lj, 24 Brasília - DF) a partir das 16h até às 18h.
Quem é Verdugo?
O artista plástico que possui um pincel encantado, presente de um mágico chamado Julho. Além de ser o seu tutor, o mágico tem o papel de lhe proteger e oferecer missões para um progressivo aprendizado. Essas missões acontecem em diversos lugares onde habitam as mais interessantes criaturas, com quem ele vive aventuras cômicas e significantes para a vida.
Quando Verdugo não está em missões, participa de histórias inspiradas em nosso dia-a-dia, transmitindo novas e velhas idéias para reflexão.
Capítulo V de Em busca do objeto dourado
Rumo ao pôr-do-sol, Verdugo e Chupeta travam uma viagem cansativa direto à Cordilheira dos Andes e encontram a tribo dos grandes Chinchas, o reino governado por Loló III . Nesse impressionante lugar, Verdugo pode contar com o total apoio do rei e ter o privilégio de conhecer: O LAGO DAS VERDADES. Nele será revelado o segredo para lhe auxiliar nos caminhos que ainda hão de vir… Força, gratidão e astúcia. Vida longa ao paquiderme!
