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Manifesto Quartomundista

segunda-feira, janeiro 28th, 2008

Antes de tudo, quero avisar para não se preocuparem que vocês não lerão aqui nada parecido com “quadrinistas do mundo todo, uni-vos”. O título é só pra chamar a atenção. =)

A questão central é que definir exatamente o que é o Quarto Mundo é difícil inclusive para nós, tanto que se torna mais fácil definí-lo pelo o que ele não é: o Quarto Mundo não é uma editora, não é uma cooperativa, não é um selo de quadrinhos e não é uma distribuidora. Esse manifesto se propõe então a definir o mais precisamente possível qual é a idéia por trás do Quarto Mundo, tanto para o público leitor quanto para os quadrinistas que integram o coletivo, ou que virão a integrá-lo.

Pois bem, o Quarto Mundo é uma tentativa, um tanto quanto megalomaníaca, de viabilizar o surgimento de um mercado de quadrinhos nacional forte, estável, e acima de tudo, contínuo. Como a produção de quadrinhos brasileira hoje em dia é essencialmente feita de forma independente, nada mais óbvio então do que juntar forças entre esses diversos produtores independentes pra viabilizar a criação desse mercado.

Em qualquer mercado de quadrinhos no mundo (e não só o de quadrinhos, mas qualquer mercado cultural) existe uma sinergia entre o chamado mercado alternativo-underground e o mercado principal-mainstream. Um se alimenta do outro da seguinte maneira. No mercado alternativo é onde em geral acontece as experimentações, e por conseguinte, as evoluções da técnica e da linguagem artística. O mercado mainstream por sua vez populariza essas inovações artísticas, renovando o mercado como um todo, elevando ele para um outro nível de qualidade até se estabilizar e se acomodar, provocando desta maneira uma nova série de experimentações no mercado alternativo. Assim sendo, o mercado alternativo de hoje tende a se transformar no mercado mainstream de amanhã que por sua vez forçará a criação de um novo mercado alternativo. Esse ciclo é extremamente benéfico e vitalizante para o mercado como um todo, pois é justamente o que o mantém sempre forte e contínuo.

No Brasil, no entanto, temos um caso suigeneris. Não podemos dizer que temos de fato um mercado de quadrinhos nacional pois justamente não temos esse ciclo de desenvolvimento entre o mercado alternativo e o mainstream. O resultado disso é que os poucos títulos mainstream publicados que obtiveram sucesso não prosseguiram em suas ações pois não existia um mercado alternativo forte que pudesse alimentá-los, seja com inovações técnicas e artísticas, ou principalmente, com novos quadrinistas que dariam prosseguimento a esse trabalho. Assim, o ciclo é quebrado, e sempre que uma nova investida é dada por alguém no mercado mainstream, a roda precisa ser inventada de novo, pois se perdeu o que se havia feito.

A conclusão a que podemos chegar com o que foi exposto até agora é que antes de pensar num mercado de quadrinhos nacional mainstream que seja forte e estável, é preciso construir um mercado alternativo que servirá como base de sustentação a esse mercado mainstream. E é aqui que entra o Quarto Mundo, pois como já foi dito, a nossa produção atual de quadrinhos é essencialmente independente, então o nosso coletivo se propõe a dar base de sustentação a essa produção para que futuramente algumas dessas revistas em quadrinhos (e os quadrinistas que as editam) possam, por suas vez, servir de base de sustentação para um possível mercado mainstream.

Para cumprir esse objetivo, o quarto mundo está apoiado em três pilares teóricos e práticos.

O primeiro deles refere-se ao próprio funcionamento do mercado cultural hoje em dia, que está apoiado na teoria econômica da Cauda Longa. O termo Cauda Longa foi criado em 2004 por , editor-chefe da revista Wired, e se popularizou através de um livro que ele escreveu intitulado The Long Tail. Em seu livro, Anderson analisa as alterações no mercado econômico, sobretudo na indústria cultural, em que ocorre um fenômeno de migração da cultura de massa para a cultura de nichos devido a convergência digital e da Internet, o que implica em um novo padrão de comportamento por parte dos consumidores.

O primeiro ramo da indústria cultural a sentir o impacto da Cauda Longa foi o da música, mas ela já está afetando em maior ou menor grau outros segmentos, como os quadrinhos. Dentro do escopo dessa nova economia, fenômenos de venda como os do Jim Lee ou a (para citarmos um exemplo nacional) dificilmente voltarão a acontecer. Cada vez mais deixaremos de ter esses grandes “hits” de vendas assim como teremos uma queda nas tiragens, ao mesmo tempo em que haverá um crescimento no número de títulos. Dentro da Cauda Longa, o custo de manutenção de um produto muito procurado é igual ao custo de manutenção de um produto procurado apenas por um número mínimo de consumidores, então nichos que antes eram ignorados pelas editoras passam agora a ter grande valor econômico.

Então o que mais interessa para o Quarto Mundo na Cauda Longa é que em um mercado de nicho, como é o caso dos quadrinhos independentes, o que importa não é a quantidade, mas a variedade. Ou seja, mais vale termos 100 revistas com tiragem de mil exemplares do que uma única revista com tiragem de 100 mil. O lucro que você obtém vendendo um exemplar de cada uma dessas 100 revistas é o mesmo que você teria vendendo 100 exemplares de uma única revista, mas as chances de você vender um exemplar de cada uma são maiores do que você vender 100 de uma, principalmente porque você pode vender diferentes revistas para uma única pessoa, mas não pode vender a mesma revista várias vezes para essa mesma pessoa (a não ser que ela tenha um sério problema de memória). Sem contar que com uma ampla variedade de títulos, as chances de o leitor se interessar por pelo menos um deles são bem maiores. Enfim, como as tiragens de nossas revistas são pequenas não há como ganharmos na economia de escala, mas através do coletivo e aplicando o modelo da Cauda Longa podemos potencializar os nossos ganhos com a economia de escopo.

E aí que está a importância das trocas de revistas promovidas pelos integrantes do Quarto Mundo entre si. Não apenas pelo fato de essas trocas viabilizarem a distribuição de nossas revistas por diversas regiões do país, mas também porque você terá um opção maior de títulos para oferecer aos leitores de sua própria região. É como se cada quadrinistas fosse uma editora com um amplo e variado catálogo de títulos. Como as trocas são feitas por valores iguais, o dinheiro que você vendeu da revista de outro quadrinista ficam para você. Assim, ganha você, que obtém um lucro maior pra reinvestir em sua própria revista. Ganha o quadrinista que teve a revista vendida por você, que ganhará um novo leitor de seu título e que eventualmente poderá difundir sua revista para outros possíveis leitores. E ganha o leitor, que descobriu uma opção a mais de leitura fora do universo das livrarias e bancas de jornais.

O segundo pilar no qual o quarto mundo está assentado é o que se convencionou chamar de . foi um autor de ficção científica que em resposta a um crítico literário que falou que a maioria das coisas que eram produzidas de sci-fi eram medíocres, disse que ele estava certo, 90% da produção em sci-fi é de fato medíocre, mas isso porque 90% do que é produzido em toda literatura também é.

Essa lei dos 90% de produção medíocre para os 10% de produção genial, apesar de se tratar de um pensamento hiperbólico, pode ser aplicada a qualquer mercado cultural, o que inclui os quadrinhos. Em geral, o que chega ao Brasil é apenas a nata da produção mundial, então não percebemos a quantidade de títulos medíocres que todo e qualquer mercado de quadrinhos possuí, seja o o norte-americano, o europeu, o japonês, etc. E não seria diferente com um possível mercado de quadrinhos brasileiro.

O problema é que o leitor brasileiro também só percebe a nata da produção mundial, e quando olha para as tentativas de produções brasileiras querem que essas produções já tenham logo de cara a genialidade que encontram nessas produções mundiais. Mas essas produções só chegaram a essa genialidade porque foram forçadas a superar os 90% de seu próprio mercado. É quase que um darwinismo aplicado aos quadrinhos.

Sendo assim, para termos uma boa quantidade de títulos brasileiros nos 10%, será preciso antes que tenhamos uma quantidade maior ainda de títulos nos 90%. Por isso que quanto mais quadrinistas se aventurarem a publicar de forma independente, melhor. Quanto mais gente publicando tivermos, mais acirrado será a “competição” entre eles, forçando o nível de qualidade de todo mundo a aumentar se quiser não ser deixado pra trás. Não devemos ser ingênuos, muitas das revistas publicadas atualmente não conseguirão sobreviver (o que não impede seus editores de tentarem de novo, com outras propostas e abordagem), mas as que sobreviverem, terão um nível de qualidade tão alto, que serão capazes de disputar frente à frente com os títulos gringos, quiçá, no próprio mercado deles.

Mas para que isso aconteça é preciso antes de tudo que a revista encontre seu leitor. Muitas revistas em quadrinhos morrem prematuramente não porque são tecnicamente ou artisticamente ruins, mas porque não conseguem chegar ao mínimo de leitores que poderiam atingir para sobreviverem. Uma das atuações do Quarto Mundo é justamente em não deixar que uma revista em quadrinhos independente morra por “infanticídio”. É preciso fazer com que ela encontre o seu público mínimo para poder ter tempo de crescer, amadurecer e assim se tornar competitiva se quiser futuramente atingir o seu potencial máximo de leitores.

De nada adianta, pro exemplo, tentar vender uma revista em quadrinhos de humor junkie para um público de super-heróis, assim como será inútil tentar vender uma revista de super-heróis para um público que curte humor junkie. Uma revista em quadrinhos só ganhará maturidade se tiver o feedback de seu próprio público leitor. A atuação do Quarto Mundo se dá então em ajudar a encontrar os modos e os canais de venda corretos para cada tipo de revista, onde ela possa encontrar o seu devido público leitor. Assim sendo, se uma revista conseguir chegar aos seus leitores corretos, e mesmo assim não tiver uma boa aceitação, saberemos de fato que é porque tal revista não possuí qualidades técnicas e artísticas suficientes para sobreviver dentro de sua própria proposta editorial, e não porque foi morta prematuramente sem sequer atingir seus potenciais leitores.

Por fim, o terceiro e último pilar do Quarto Mundo refere-se a própria organização do coletivo com base em um modelo em que não existem hierarquias e nem mesmo um comando central, estimulando deste modo uma colaboração livre e aberta entre seus integrantes. Esse modelo de organização baseado na colaboração mútua é chamada na nova economia de , ou simplesmente peering. As primeiras aplicações de peering se deram no campo da tecnologia, em especial, na de softwares de código-aberto, como é o caso do sistema operacional , mas hoje em dia esse tipo de organização já se espalhou para outros setores da economia. E a tendência é que cada vez mais se abandone as organizações hierárquicas e se passe a adotar uma organização horizontal.

Então dentro desse modelo de organização, cada quadrinistas no Quarto Mundo é como se fosse uma célula de um organismo maior, que é o próprio coletivo. Como uma célula, cada um sabe a sua função para manter esse organismo vivo. Algumas células podem ter maiores atribuições do que outras, mas não há relação de superioridade ou inferioridade entre elas.

Uma organização desse tipo só funciona quando há uma forte relação de confiança entre seus membros. Todo quadrinista que está no Quarto Mundo, o está porque foi convidado por alguém que confia nele. O Quarto Mundo só funciona por causa dessa rede de confiança, que não pode ser quebrada de forma alguma, senão toda a organização poderá ruir.

A metáfora da falange é talvez o melhor modo pra explicar a dinâmica do Quarto Mundo. Na falange, o escudo de um soldado não é utilizado para proteger a si mesmo, mas sim para proteger ao homem que está lutando ao seu lado, que por sua vez usará o seu escudo pra proteger o próximo, e assim por diante. Você só é capaz de proteger o homem ao seu lado, porque tem plena confiança de que um outro homem também o está protegendo. Essa confiança nunca pode ser quebrada se a falange quiser manter-se de pé e lutando. E assim deve ser também no Quarto Mundo.

Então para concluir, é com base nesses três pilares apresentados que o Quarto Mundo se propõe a ajudar os quadrinistas independentes a publicarem, distribuírem, divulgarem e venderem as suas revistas. Para assim quem sabe um dia possamos ter de fato um mercado de quadrinhos nacional grande e forte, e não apenas uma “quitanda”. Se vamos conseguir atingir esse objetivo, não sabemos. Mas ninguém poderá dizer que ficamos de braços cruzados e nem ao menos tentamos.

Sobre Webcomics

quinta-feira, fevereiro 7th, 2008

As já são uma realidade. Principalmente lá fora. Diversos quadrinistas gringos já estão vivendo, e de forma independente, de suas histórias em quadrinhos publicadas na Internet. É o caso de Dave Kellet da série Sheldon, Brad Guigar de Evil Inc, Kris Straub de Starslip Crisis e Scott Kurtz de PvP. Não por acaso os quatro se reuniram para escreverem um livro onde relatam suas experiências, chamado How To Make Webcomics. As webcomic estão se popularizando tanto que até as grandes editoras começaram a investir, como é o caso da Zudacomics criado pela DC Comics.

Aqui no Brasil, a situação das webcomics é outra e ainda não está tão difundida quanto lá fora. Muito da culpa disso, ao meu ver, são dos próprios quadrinistas brasileiros, pois muitos deles ainda não estão botando muita fé no potencial das webcomics. E por vezes, por um motivo bobo. Percebo que muitos quadrinistas não publicam seus quadrinhos na Internet por considerarem menos “glamuroso” ou com menos prestígio do que publicar numa revista impressa. Mas a verdade é que a mesma coisa, o que importa é produzir e publicar quadrinhos, não importa onde.

E como já escrevi em meu blog, hoje em dia é plenamente possível ganhar dinheiro e viver de quadrinhos online, mesmo no Brasil. Arrisco dizer que a via online pode ser até mais fácil do que a via impressa, tendo em vista a dificuldade que é para distribuir uma revista nesse país. Com as webcomics, você já elimina esse problema. Tanto que estou pensando seriamente em desistir de continuar publicando a revista do Homem-Grilo, se os ganhos com o site do personagem continuarem aumentando. Seguindo o modelo econômico que resolvi adotar pro Homem-Grilo, será muito mais vantajoso apostar apenas nas webcomics. Ainda que hoje em dia os ganhos não sejam o suficiente para eu conseguir viver delas, acredito que se o crescimento continuar nesse ritmo, a médio, ou até mesmo a curto prazo será.

Mas felizmente, a mentalidade dos quadrinistas brasileiros com relação as webcomics está começando a mudar. Alguns, como é o caso de Jean Okada, já estão mostrando serviço e publicando excelentes quadrinhos onlines. Nos últimos post de seu blog, o Paulo Ramos nos mostrou que a produção atual de webcomics tupiniquins está bem grande, ainda mais se comparado com anos anteriores. Como o Hector Lima bem reparou, o Paulo não selecionou o material e foi publicando todo os links que lhe foram enviados, então inconscientemente aplicou a Lei de Sturgeon.

E ai está um dos grandes benefícios das webcomics para os quadrinhos brasileiros. Devido a facilidade de publicar na Internet, teremos com certeza muito mais quadrinhos medíocres do que nas publicações impressas. Mas seguindo o 2º princípio do Quarto Mundo, se essa galera continuar produzindo ininterruptamente, as chances de aparecerem obras que extrapolem os 90% também é bem mais alta. E pela pequena amostra publicada pelo Blog dos Quadrinhos, mesmo as nossas webcomics que ainda estão nos 90% já estão galgando alguns níveis de qualidade acima do mediano.

Há algum tempo atrás, durante um lançamento na livraria HQ Mix, o Paulo Ramos me perguntou qual seria o rumo dos quadrinhos independentes para 2008. Como fui pego de surpresa pela pergunta – e já estava meio alto na hora =) - não soube exatamente o que responder. Mas agora eu já estou pronto para respondê-la, pois o próprio Paulo, sem querer, ou não, já meio que respondeu a sua própria pergunta quando montou aquela lista de webcomics em seu blog.

Em 2007, com a formação oficial do Quarto Mundo, conseguimos mostrar que a publicação independente é uma das melhores saídas para termos grande quantidade de produção e assim podermos criar um mercado de quadrinhos. Agora em 2008 o rumo é mostrar que a via impressa não é a única para os quadrinistas independentes, pois publicar online pode ser tão, ou até mesmo mais viável. Esqueça essa baboseira de que publicar numa revista impressa dá mais prestígio ou coisa que o valha. Isso é um pensamento retrógrado. Como professor de História no ensino fundamental e médio, e observando atentamente o comportamento dos meus alunos, posso afirma com convicção que a molecada de hoje em dia não faz a mínima diferença se os quadrinhos que eles estão lendo está na tela do computador, no pequeno visor de um celular, ou no papel. Ou seja, se o meio onde os quadrinhos estão sendo publicado não importa para o seu leitor, deve muito menos importar para você.

Mas os mais importante de tudo, independente do meio de publicação, é termos uma quantidade grande de produção. Não estamos nem perto ainda de ter produção suficiente para formarmos um mercado de quadrinhos nacional. Precisamos de mais. MUITO mais. Então cambada, todo mundo de volta a seus cadernos de rascunhos e vamos produzir. =)

Qual a Importância do 4º Mundo?

sexta-feira, junho 13th, 2008

No Manifesto Quartomundista eu defini exatamente o que é (e o que não é) o Quarto Mundo e quais são seus objetivos. Passados cerca de 10 meses após a criação oficial do coletivo, este novo texto se propõe então a mostrar o que de fato o Quarto Mundo cumpriu e está cumprindo de suas metas, e também o que fará daqui pra frente.

Pois bem, como sou Historiador, meu domínio é estritamente o passado, e não tenho muita habilidade de tratar do presente e do futuro como será necessário neste texto. Por isso evoco agora o auxilio da Musas, Deusas Olimpíades, senhoras do Tempo, virgens de Zeus porta-égide, sabedoras de mentiras que parecem verdades, e de verdades que só elas podem enunciar. Pelas Musas, cantarei.

Mas afinal de contas, qual a importância do Quarto Mundo para o atual cenário de publicação de quadrinhos brasileiros? Se eu fosse humilde, responderia que não tem nenhuma importância. Com ou sem o Quarto Mundo a atual produção de quadrinhos no Brasil estaria do mesmo jeito. Mas eu não sou humilde. E com minha natural arrogância aliada ao espírito das musas que agora me possuem, respondo que não teríamos alcançado o atual cenário se não fosse a atuação do Quarto Mundo, direta, ou indiretamente.

Que as Musas enunciem os fatos. No mês de março deste ano tivemos 10 lançamentos de quadrinhos nacionais (excluindo-se, é claro, Turma da Mônica) segundo checklist do Universo HQ (sendo que destes, vale ressaltar, 5 foram independentes e todos pertencentes ao Quarto Mundo). É bem pouco para considerarmos que já temos um mercado de quadrinhos nacional forte e diversificado, certo? No entanto, essa foi a mesma quantidade de lançamento que tivemos no primeiro trimestre inteirinho de 2007. Ou seja, podemos perceber um nítido crescimento do número de publicações. Mas ainda estamos muito longe do ideal (tanto em quantidade, quanto em qualidade, lembrando que uma coisa puxa a outra), principalmente se compararmos nossa produção a mercados de quadrinhos já consolidados. Enquanto lançamos 10 títulos, o mercado norte-americano lançou no mesmo mês de março exatamente 632 títulos (segundo lista da Diamond, então se supõe que o número seja maior ainda, podendo chegar a cerca de mil lançamento, dado que há diversos produtores pequenos ou independentes que não distribuem por essa empresa).

A grande questão é a seguinte; como a produção gringa é quantitativamente bem maior que a nossa, a produção de quadrinhos acima da média deles e que estão nos 10% (segundo a , explicada no segundo pilar do manifesto quartomundista) é logicamente também bem maior. Então se eles produzem cerca de mil títulos por mês, possivelmente 100 revistas que eles lançaram estariam acima da média, enquanto que nós, produzindo apenas 10 títulos por mês, possivelmente apenas uma delas estaria no mesmo nível dos 10% norte-americano. Como podem ver, é de fato uma comparação desleal.

É por isso que a principal bandeira do 4mundo é incentivar cada vez mais quadrinistas a produzirem de forma independente, seja em fanzines, revistas, álbuns ou em webcomics. Pois só com o aumento quantitativo da produção é que se tem um aumento qualitativo (e isso vale tanto no nível individual, quanto coletivo). Então se quisermos que a nossa produção nacional seja tão boa quanto a gringa, temos que no mínimo produzir tanto quanto eles.

E como tem acontecido essa fomentação da produção de quadrinhos pelo Quarto Mundo? Primeiramente, dando saída a produção que já existe, fazendo essas revistas chegarem a seus respectivos leitores. E isso é feito principalmente com a participação do Quarto Mundo em eventos, shows e feiras. Um bom exemplo disso foi a participação do Quarto Mundo na última Feira de Artes da Vila Pompéia, em que conseguimos de fato furar “a bolha”, atingindo um público completamente novo, que não é leitor habitual de quadrinhos, mas que é consumidor de arte e cultura, e estão livre de qualquer preconceito com os quadrinhos nacionais como costuma haver entre os fanboys. Se cada uma daquelas pessoas que comprou nossos quadrinhos na feira, gostar do que ler, poderá se tornar um leitor de quadrinhos, e principalmente, dos nossos quadrinhos. E é esse outro dos grandes focos do 4mundo. Formar um novo público leitor para nossos quadrinhos e criar o nosso próprio mercado consumidor. E pouco a pouco, em ação como essas, estamos conseguindo fazer isso.

A segunda forma de fomentar a produção está sendo feita de modo online, tanto aqui no blog do Quarto Mundo, quanto no Quinto Mundo, o nosso fórum aberto de discussão. No blog é publicado todos os dias novas páginas de histórias em quadrinhos, não só dos próprios integrantes do Quarto Mundo, mas também de qualquer um que quiser colaborar com suas HQ’s. Já no fórum é discutido tudo que envolve a produção de quadrinhos, do roteiro a edição final. E lá estão quadrinistas dos mais variados estilos, nos mais diversos níveis de experiências, trocando idéias entre si, colaborando desta forma para o crescimento e a evolução técnica e artística de todos eles. Em um país onde não existe uma formação superior específica para quadrinistas, até mesmo porque ainda não existe uma mercado de atuação para os futuros profissionais formados, um fórum como o Quinto Mundo onde os quadrinistas podem aprender e se desenvolver é extremamente importante.

Mas ainda que essas ações do Quarto Mundo para fomentar a produção de quadrinhos brasileira estejam dando certo, elas tem um limite. Apenas com essas ações do Quarto Mundo não seremos capaz de alcançar o tão sonhado mercado de quadrinhos brasileiro. Devemos lembrar que por mais bem intencionados, esforçados, bonitos e cheirosos que sejam os integrantes do Quarto Mundo, ainda assim são apenas um bando de quadrinistas independentes, e pra piorar, entre eles há um arrogante Historiador possuído pelas Musas.

É preciso que outros setores e agentes que compõem esse tal de mercado, como editoras, distribuidoras, varejistas e livreiros, também passem a fomentar a produção de quadrinhos nacionais. E não estou dizendo que eles devem fazer isso só pelo fato de ser quadrinhos nacional. Não. Esse discurso ufanista não existe no Quarto Mundo. Mas sim porque possuímos capacidade de termos um mercado de quadrinhos nacional tão grande, forte, estável e contínuo quanto o de qualquer outro país que já o tem. Felizmente alguma editoras já acordaram para a atual cena independente, e já estão trazendo os quadrinistas que estão se destacando nesse cenário para dentro de suas “fronteiras”. E se mais editoras fizerem isso, maior será a quantidade de quadrinhos que teremos nos 10%.

No que tange ao Quarto Mundo, o coletivo continuará com suas ações de incentivar a produção de quadrinhos nacional. Sabendo, é claro, que os resultados concreto dessas ações não aparecerão agora ou amanhã, mas só daqui a 20 ou 25 anos. Sei disso pois agora sou imbuído pelo espírito das Musas, e através de mim elas enunciam o presente, o passado, e o futuro. E não há porque duvidar do belo canto das Deusas Olimpíades, virgens de Zeus porta-égide.

A Tragetória do Quarto Mundo Até o Momento

sábado, setembro 27th, 2008

Leonardo Melo, André Caliman e Cadu Simões

Difícil precisar exatamente quando tudo começou. Talvez tenha sido em novembro de 2006. Na época, Leonardo Melo e André Caliman tinham recém lançado a revista Quadrinhópole e encontraram o Cadu Simões, criador do Homem-Grilo e então editor da revista Garagem Hermética, do lado de fora do evento Fest Comix, em São Paulo. Juntos, os três reuniram os dois títulos numa pequena mesinha ao lado de um poste, em plena calçada, oferecendo ambas as revistas em promoção. Talvez tenha sido aí o começo de uma colaboração dos quadrinhos independentes. Eles venderam debaixo de sol e de chuva, sem saber que estavam iniciando um movimento.

Meses depois, em fevereiro de 2007, aconteceu o evento de entrega do 23º Troféu Ângelo Agostini. Novamente, organizaram-se para vender as revistas juntos, mas a mesa agora era maior. E qual não foi a surpresa ao verem surgir outros artistas independentes, cada um com seu título, que iam chegando e deixando ali para vender, aos cuidados de Cadu Simões, Leonardo Melo e Will. Percebia-se ali, que estava começando um verdadeiro “boom” na produção nacional, bastante focada em qualidade, tanto gráfica, quanto na produção de roteiros e desenhos de alto nível.

A Banca dos Independentes e o Nome Oficial

O próximo evento, em abril, foi o HQ e Cultura, na Uninove, também em São Paulo, e o aumento de revistas independentes foi ainda maior. Logo, veio o evento de premiação do 19º Troféu HQMIX e a “banca dos independentes”, organizada por Edu Mendes e pela comissão do prêmio, contava com dezenas de títulos dos quatro cantos do Brasil, chegando a parecer uma banca de editora, tudo devidamente organizado.

Percebia-se um forte movimento dos quadrinhos independentes, mas a coisa ainda não estava completamente organizada. E ainda existiam os “calcanharesde-aquiles” deste movimento, que sempre foram a divulgação e a distribuição, apesar do forte destaque em eventos. Foi mais ou menos nessa altura que Leonardo Melo, Cadu Simões e Pablo Casado começaram a trocar idéias por e-mail sobre como contornar estes problemas. Afinal, a produção crescia, mas nada era feito com um foco no fortalecimento do mercado. Logo, entraram na conversa Hector Lima, Leonardo Santana e outros. O que começou com uma simples troca de idéias por e-mail se transformou numa lista de discussão, que em pouco tempo contava com vinte membros. Era o começo do Quarto Mundo, que em pouco tempo já havia sido batizado.

Sistema de Trocas

Para contornar um pouco o problema de distribuição, surgiu o sistema de trocas, em que os autores independentes trocavam títulos entre si e cada um vendia em sua cidade. Ainda não era o ideal, mas era um começo. A internet sempre ajudava na divulgação, mas os autores também começaram a trocar propagandas, que eram publicadas dentro de seus respectivos títulos. Começou a se discutir veementemente formas de resolver os problemas do mercado, formas dos independentes colaborarem entre si. Em setembro, ocorreu o HQ na BA, nas Faculdade Belas Artes de São Paulo, primeiro evento onde o grupo utilizou o nome Quarto Mundo, tendo sido este “debut” registrado pelo programa Metrópolis da TV Cultura.

Aproximava-se o 5º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos - em Belo Horizonte. Já sabíamos da existência de uma quantidade razoável de títulos independentes para tornar viável o aluguel de um estande específico para isso. O custo foi dividido entre os autores interessados em deixar seus títulos para serem vendidos lá. Aproximadamente vinte pessoas entraram na divisão do aluguel, barateando o custo para todos os envolvidos. O estande do Quarto Mundo foi dividido com os independentes de Belo Horizonte, o que deixou o espaço ainda mais atrativo para o público. Foi a grande estréia do grupo, o que chamou a atenção do mercado como um todo. Em quase todas as palestras, o esforço do Quarto Mundo era citado como exemplo a ser reconhecido de uma luta pelo quadrinho nacional. O estande se tornou um dos mais visitados durante todo o evento.

Só por aí se percebe a importância de se construir um grupo deste porte, onde os membros colaboram juntos em prol de todos. Depois do FIQ, em outubro, todos voltaram ainda mais animados e logo se tornou uma tradição ter a “Banca do Quarto Mundo” em eventos relacionados a quadrinhos. Veio a Fest Comix, onde o resultado de vendas independentes foi espantoso, e a Maratona Devir, em dezembro de 2007, que contou com a presença de vários membros do grupo, não apenas vendendo revistas, mas dando palestras, ministrando oficinas e discutindo o mercado nacional.

Fundou-se o Blog Oficial do QM, onde se falava um pouco mais dos membros que dele faziam parte, os títulos, notícias relacionadas e, claro, tratava de publicar alguns quadrinhos feitos pelos artistas-membros.

Já em 2008, tivemos o 24º Ângelo Agostini, que embora não disponibilizasse um espaço para a tradicional Banca do Quarto Mundo - em virtude da reforma no SENAC, onde sempre era realizado o evento - teve muitos membros do grupo levando o troféu para casa. Foi também nesta ocasião que o QM lançou seu primeiro Informativo.

A Força em Eventos e as Indicações ao HQMIX

Depois, ocorreu a 7ª Feira de Quadrinhos e Fanzines da USP, a 3ª Feira de Quadrinho e Arte de Osasco, a Virada Cultural na HQ Mix Livraria, a Feira de Arte da Pompéia e, mais recentemente, a participação do grupo no evento SESC em Quadrinhos, organizado por Eloyr Pacheco em Londrina. Apesar da forte chuva e do frio, este último foi um sucesso de público, o que mostrou a importância de se levar o QM a cidades onde a distribuição não alcança.

Além disso, desde o início do grupo, membros do QM tem participado ativamente de diversas atividades didáticas como aulas de HQ em escolas particulares, oficinas de fanzines em diversas Bibliotecas Municipais de São Paulo e até em palestra para uma turma do Curso de
Editoração da Escola de Comunicação de Artes da USP. Tudo isso no intuito de promover a divulgação e o entendimento do valor das HQs e fomentando a produção independente nos mais diversos locais. Boa parte das indicações ao HQ Mix deste ano têm algum nome do Quarto Mundo nelas, o que novamente ressalta a relevância do coletivo.

Sozinhas, talvez tais pessoas jamais conseguissem um destaque que lhes valesse a indicação. Mas participando do grupo, ganham uma força incomparável.

Hoje, o Quarto Mundo conta com mais de setenta artistas e tem como saldo de tudo isso um merecido destaque. Está sempre presente em eventos e ainda está brigando para encontrar formas de solucionar os duros problemas enfrentados pelo mercado. Nasceu daí um esforço coletivo na valorização e incentivo do quadrinho nacional. Que este esforço não seja em vão, e que todos - membros do QM ou não e, principalmente, os leitores - possam desfrutar dos resultados dessa luta, que continuará sendo exercida dia após dia. Em eventos, na internet ou onde mais o QM possa estar presente.

Pois ainda há muito a ser feito, e ainda estamos apenas
engatinhando…

*Este artigo de Edu Mendes e Leonardo Melo foi publicado originalmente no Informativo Quarto Mundo nº 1 de julho de 2008.

Um Ano de Quarto Mundo

quarta-feira, novembro 12th, 2008

Outubro de 2007, o Quarto Mundo faz sua estréia em grande estilo no 5º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte - MG. Outubro de 2008, hoje. O Quarto Mundo comemora seu primeiro ano de existência. Um ano marcado por vários acontecimentos, sempre batalhando para que os autores nacionais conquistem seu espaço no mercado. O que se passou nesse primeiro ano de vida do coletivo? Será que há algo para se comemorar?

Sim, há muito o que se comemorar. Nossa luta finalmente começou a gerar frutos, e isso só foi possível graças à união dos quadrinhistas de todo o Brasil. Uma retrospectiva de toda essa história já foi feita em nossa edição anterior, onde falamos sobre a trajetória do Quarto Mundo até o HQMIX 2008. Não faz nem três meses que isto aconteceu, mas já temos muitas outras novidades a acrescentar naquela história que vocês leram.

A primeira diz respeito ao próprio HQMIX, premiação em que integrantes do grupo conquistaram oito troféus (desenhista revelação, roteirista revelação, publicação independente de autor, publicação independente de grupo, publicação independente especial, publicação independente de bolso, site de autor, tese de graduação) e onde o grupo foi laureado com um prêmio pelas atividades que vem desenvolvendo. Praticamente não houve um evento de quadrinhos, sobretudo em São Paulo, desde julho de 2007, em que o Quarto Mundo não esteve presente, seja vendendo quadrinhos, seja divulgando o trabalho de todo mundo, ou mesmo dando palestras, entrevistas, oficinas e afins. Vocês viram. Vocês estavam lá. E basicamente foi isso que nos rendeu o Prêmio HQMIX de Contribuição do Ano ao Quadrinho Nacional.

O Prêmio veio em boa hora, pois renovou o ânimo e o nosso compromisso de continuar lutando. Foi um reconhecimento pelo nosso esforço, um presente de um ano de existência e a certeza de que não devemos parar. Jamais! No entanto, o que o Quarto Mundo fez neste primeiro ano de vida ainda é muito pouco perto do seu potencial.

Organização do Grupo

Tendo em vista a necessidade de uma atuação mais forte em várias áreas do mercado, o coletivo começou a se organizar e dividir tarefas entre seus membros. A grande maioria ainda é formada por apoiadores ou entusiastas do movimento, mas alguns já estão fazendo parte dos “Núcleos de Atuação” e trabalhando neles. Cada qual tem uma linha de trabalho específica, com suas metas individuais, embora todos trabalhem juntos com o mesmo objetivo. A seguir falaremos um pouco mais sobre cada uma dessas linhas de trabalho.

Conselho Administrativo: São, na maioria, os coordenadores dos outros núcleos, além de cuidarem dos trâmites administrativos e orientarem os membros de cada núcleo na execução de suas tarefas. O grupo atua em questões que envolvem todas as atividades e membros do coletivo.

Núcleo Distribuição: Agora o Quarto Mundo tem o seu próprio esquema de distribuição, fugindo do cartel formado pelas poucas distribuidoras que existem. A idéia é que cada cidade tenha o seu membro-distribuidor. Ele receberá material do grupo e deixará em consignação diretamente nas bancas e comic shops de sua cidade. Na ilustração estão representados os estados onde existem distribuidores, até o momento de fechamento desta edição.

Núcleo Divulgação: O grupo cria novas estratégias para divulgar os quadrinhos nacionais. Algumas propostas deste núcleo incluem levar o grupo a canais de TV, rádio e mídia impressa, além de ser responsável por criar e divulgar os releases sobre os lançamentos de cada um dos membros.

Núcleo Eventos: Este Núcleo já tem um planejamento a respeito de como o Quarto Mundo irá atuar em vários eventos programados para acontecer até o FIQ 2009. Isso inclui a organização da banca do Quarto Mundo e várias outras atividades correlatas.

Núcleo Internet: Com planos de tradução do blog do Quarto Mundo para outras línguas, o que irá divulgar o quadrinho nacional para fora do Brasil e logo deverá ter visitas suficientes para que ele mantenha-se sozinho, sem a necessidade dos membros dividirem seu domínio e hospedagem. O blog é a principal ferramenta de divulgação do Quarto Mundo na internet, valendo-se do que a própria internet disponibiliza para tanto. É a tática de guerrilha no mundo virtual.

Núcleo Informativo: A publicação-símbolo do coletivo segue em veicular novidades, checklists e trabalhos dos artistas do grupo. A intenção é ter um número novo a cada evento representativo de quadrinhos que aconteça em qualquer ponto do país e que seja acessível para o Quarto Mundo.

As engrenagens começam a rodar, a máquina quartomundista entra em funcionamento. Esse foi o fruto principal deste primeiro ano, e esperamos que as engrenagens não parem mais de rodar daqui em diante, procurando trazer conquistas aos quadrinhistas brasileiros a cada ano que passar.

É este o papel do Quarto Mundo, é a missão com a qual nos comprometemos. Por isso, longa vida ao Quarto Mundo e a todos os autores independentes!

Dez motivos que mostram como o sistema de distribuição do Quarto Mundo é interessante para os pontos de venda e autores independentes:

  1. Revistas que nunca conseguiriam ser aceitas por uma distribuidora pela baixa tiragem chegarão com velocidade aos clientes nas lojas.
  2. Integrantes do grupo coordenarão a chegada e saída de títulos de forma centralizada, liberando o vendedor do trabalho de fazer os acertos individuais com cada editor.
  3. O Quarto Mundo, na intenção de valorizar autores e vendedores, garante 50% do valor de capa para os autores e 30% para os pontos de venda e reserva apenas 20% para cobrir os custos de distribuição, porcentagem esta que pode até mesmo ser diminuída ou anulada, dependendo do critério adotado pelo distribuidor.
  4. Através de displays colocados junto às suas publicações, o grupo sinalizará e endossará os títulos participantes do coletivo.
  5. Através do envio conjunto de publicações os autores terão gastos menores com envio de seus títulos para outros estados que antes se faziam em pequenos pacotes para cada ponto de venda.
  6. O representante do grupo em cada região gerenciará a logística da distribuição enviando um número específico de revistas para cada ponto em função de seus relatórios de venda.
  7. Os pontos de venda passarão a fazer parte da rede Quarto Mundo e serão promovidos no Informativo e no blog do grupo.
  8. O autor acompanha as vendas de suas revistas em planilhas de controle disponibilizadas a todos os membros. Assim ele sabe quanto vendeu em cada comic shop ou evento.
  9. O acerto é feito bimestralmente, assim o autor não precisa se preocupar em fazer conferências ou ficar cobrando donos de loja ou distribuidoras.
  10. Todos divulgam o trabalho de todos, fortalecendo assim a propaganda pelo quadrinho nacional.
*Este artigo de Edu Mendes e Leonardo Melo foi publicado originalmente no Informativo Quarto Mundo nº 2 de outubro de 2008.

Como Fazer Parte do Quarto Mundo

sábado, novembro 15th, 2008

Quando o Quarto Mundo foi criado oficialmente, há cerca de um ano atrás, para fazer parte do nosso coletivo bastava que você fosse indicado por alguém que já fosse membro para que você se tornasse um membro do Quarto Mundo também. Por isso, o núcleo inicial do QM era formado por um grupo de amigos que já se conheciam, seja pessoalmente ou pela Internet.

Mas hoje em dia não é mais assim. O Quarto Mundo cresceu muito de lá pra cá, e tivemos que rever o sistema de organização do coletivo, como está explicado neste artigo. Enquanto reorganizávamos nosso coletivo, fechamos por um tempo a entrada de novo membros para também poder refazer esse processo. Mas agora a entrada de novos membros no QM está novamente aberta, mas sobre novas condições.

De agora em diante não é mais necessário que você seja indicado previamente por alguém que já é membro para poder entrar no Quarto Mundo. O ingresso no nosso coletivo está em princípio aberto a todos os quadrinistas independentes. Ou seja, o requisito essencial que você deve ter para fazer parte do Quarto Mundo é editar uma publicação independente ou participar ativamente de alguma. Se você preenche esse requisito, então você está apto a se candidatar como membro do QM bastando para isso que você preencha este formulário de inscrição.

No entanto, nem todos que preenchem o formulário são automaticamente aceitos no Quarto Mundo. Todos os formulários preenchido são antes avaliados pelo Conselho Administrativo do Quarto Mundo, que julgará quais quadrinistas estão aptos ou não a fazer parte do nosso coletivo. Mas porque há esse julgamento do conselho, filtrando os candidatos a novos membros do QM?

Por um motivo muito simples. O Quarto Mundo é um coletivo, e para que o coletivo funcione é preciso que seus membros saibam trabalhar em equipe. E é justamente isso que será avaliado pelo Conselho nos novos membros, se eles são capazes de trabalhar coletivamente.

O Conselho não irá julgar as suas habilidades técnicas ou artísticas como quadrinista. Isso não interessa para o Quarto Mundo, tanto que temos no nosso coletivo quadrinista nos mais diversos níveis técnicos e artísticos, desde iniciantes que acabaram de fazer seu primeiro fanzine, até quadrinistas experientes que já estão há anos publicando.

O que interessa para o Quarto Mundo são pessoas proativas, que possuem iniciativa, que não ficam esperando alguém lhe dar alguma ordem pra fazer alguma coisa. O nosso coletivo precisa de pessoas dispostas a ajudar seus companheiros e sem esperar nada em troca. No Quarto Mundo não há vez para pessoas egoístas e que só pensam em si mesmas.

O Quarto Mundo só está avançando e conquistando seu espaço devido ao esforço coletivo de seus membros, que se sacrificam em prol de um objetivo comum; construir um consistente mercado de quadrinhos brasileiros onde os quadrinistas tenham condições básicas para exercer sua profissão e possam receber dignamente por seu trabalho. Se você também está disposto a se sacrificar por este objetivo, então tenha certeza, você é a pessoa que o Quarto Mundo precisa.

Então antes de preencher a ficha de inscrição, pense bem sobre tudo o que eu disse acima. Procure também se informar bem a respeito do Quarto Mundo, de suas atividades e objetivos. Uma boa forma de começar é lendo os artigos sobre o QM que foram publicados aqui mesmo no blog.

E se você já preencheu a ficha de inscrição, mas ainda não recebeu uma resposta, não se preocupe, é assim mesmo. Recebemos diversas fichas de inscrição que o Conselho deve avaliar cuidadosamente, uma por uma. Por isso, a resposta de sua aprovação pode demorar, variando de alguns dias a até mesmo algumas semanas, dependendo das disponibilidade dos membros do Conselho.

Uma vez que você tenha sido aprovado no Quarto Mundo, você terá seu e-mail incluído no nosso grupo de e-mails. No entanto, não se trata aqui de um grupo de discussão de quadrinhos, mas sim de um “grupo de ação”. O nosso grupo de e-mails possui um função prática bem específica, é lá onde decidimos as ações e atividades do Quarto Mundo. Então se você vê o Quarto Mundo como um simples grupo para discussão de quadrinhos, sinto muito decepcioná-lo, mas o grupo do QM não é para isso. Se o seu objetivo é apenas discutir quadrinhos de forma mais teórica, então sugiro que se inscreva apenas no Quinto Mundo, que é justamente o nosso fórum aberto de discussões sobre quadrinhos, em seus diferentes aspectos, desde o roteiro a produção final.

E para aquele de vocês que for aprovado e aceito no Quarto Mundo, eu só posso lhe prometer o seguinte: você vai trabalhar mais do que já trabalhou em toda a sua vida. Você verá o seu tempo livre diminuir, suas horas de sono evaporarem, e sua vida social desaparecer completamente. Muito provavelmente a sua namorada(o) ou esposa(o) vai abandoná-lo(la). Mas apesar de tudo isso, no final você estará feliz, por mais absurdo que isso possa parecer. E você estará feliz justamente porque diferente da maioria das pessoas do mundo, você estará trabalhando com aquilo que gosta, e vivendo dos frutos do seu trabalho.