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Qual a Importância do 4º Mundo?

sexta-feira, junho 13th, 2008

No Manifesto Quartomundista eu defini exatamente o que é (e o que não é) o Quarto Mundo e quais são seus objetivos. Passados cerca de 10 meses após a criação oficial do coletivo, este novo texto se propõe então a mostrar o que de fato o Quarto Mundo cumpriu e está cumprindo de suas metas, e também o que fará daqui pra frente.

Pois bem, como sou Historiador, meu domínio é estritamente o passado, e não tenho muita habilidade de tratar do presente e do futuro como será necessário neste texto. Por isso evoco agora o auxilio da Musas, Deusas Olimpíades, senhoras do Tempo, virgens de Zeus porta-égide, sabedoras de mentiras que parecem verdades, e de verdades que só elas podem enunciar. Pelas Musas, cantarei.

Mas afinal de contas, qual a importância do Quarto Mundo para o atual cenário de publicação de quadrinhos brasileiros? Se eu fosse humilde, responderia que não tem nenhuma importância. Com ou sem o Quarto Mundo a atual produção de quadrinhos no Brasil estaria do mesmo jeito. Mas eu não sou humilde. E com minha natural arrogância aliada ao espírito das musas que agora me possuem, respondo que não teríamos alcançado o atual cenário se não fosse a atuação do Quarto Mundo, direta, ou indiretamente.

Que as Musas enunciem os fatos. No mês de março deste ano tivemos 10 lançamentos de quadrinhos nacionais (excluindo-se, é claro, Turma da Mônica) segundo checklist do Universo HQ (sendo que destes, vale ressaltar, 5 foram independentes e todos pertencentes ao Quarto Mundo). É bem pouco para considerarmos que já temos um mercado de quadrinhos nacional forte e diversificado, certo? No entanto, essa foi a mesma quantidade de lançamento que tivemos no primeiro trimestre inteirinho de 2007. Ou seja, podemos perceber um nítido crescimento do número de publicações. Mas ainda estamos muito longe do ideal (tanto em quantidade, quanto em qualidade, lembrando que uma coisa puxa a outra), principalmente se compararmos nossa produção a mercados de quadrinhos já consolidados. Enquanto lançamos 10 títulos, o mercado norte-americano lançou no mesmo mês de março exatamente 632 títulos (segundo lista da Diamond, então se supõe que o número seja maior ainda, podendo chegar a cerca de mil lançamento, dado que há diversos produtores pequenos ou independentes que não distribuem por essa empresa).

A grande questão é a seguinte; como a produção gringa é quantitativamente bem maior que a nossa, a produção de quadrinhos acima da média deles e que estão nos 10% (segundo a , explicada no segundo pilar do manifesto quartomundista) é logicamente também bem maior. Então se eles produzem cerca de mil títulos por mês, possivelmente 100 revistas que eles lançaram estariam acima da média, enquanto que nós, produzindo apenas 10 títulos por mês, possivelmente apenas uma delas estaria no mesmo nível dos 10% norte-americano. Como podem ver, é de fato uma comparação desleal.

É por isso que a principal bandeira do 4mundo é incentivar cada vez mais quadrinistas a produzirem de forma independente, seja em fanzines, revistas, álbuns ou em webcomics. Pois só com o aumento quantitativo da produção é que se tem um aumento qualitativo (e isso vale tanto no nível individual, quanto coletivo). Então se quisermos que a nossa produção nacional seja tão boa quanto a gringa, temos que no mínimo produzir tanto quanto eles.

E como tem acontecido essa fomentação da produção de quadrinhos pelo Quarto Mundo? Primeiramente, dando saída a produção que já existe, fazendo essas revistas chegarem a seus respectivos leitores. E isso é feito principalmente com a participação do Quarto Mundo em eventos, shows e feiras. Um bom exemplo disso foi a participação do Quarto Mundo na última Feira de Artes da Vila Pompéia, em que conseguimos de fato furar “a bolha”, atingindo um público completamente novo, que não é leitor habitual de quadrinhos, mas que é consumidor de arte e cultura, e estão livre de qualquer preconceito com os quadrinhos nacionais como costuma haver entre os fanboys. Se cada uma daquelas pessoas que comprou nossos quadrinhos na feira, gostar do que ler, poderá se tornar um leitor de quadrinhos, e principalmente, dos nossos quadrinhos. E é esse outro dos grandes focos do 4mundo. Formar um novo público leitor para nossos quadrinhos e criar o nosso próprio mercado consumidor. E pouco a pouco, em ação como essas, estamos conseguindo fazer isso.

A segunda forma de fomentar a produção está sendo feita de modo online, tanto aqui no blog do Quarto Mundo, quanto no Quinto Mundo, o nosso fórum aberto de discussão. No blog é publicado todos os dias novas páginas de histórias em quadrinhos, não só dos próprios integrantes do Quarto Mundo, mas também de qualquer um que quiser colaborar com suas HQ’s. Já no fórum é discutido tudo que envolve a produção de quadrinhos, do roteiro a edição final. E lá estão quadrinistas dos mais variados estilos, nos mais diversos níveis de experiências, trocando idéias entre si, colaborando desta forma para o crescimento e a evolução técnica e artística de todos eles. Em um país onde não existe uma formação superior específica para quadrinistas, até mesmo porque ainda não existe uma mercado de atuação para os futuros profissionais formados, um fórum como o Quinto Mundo onde os quadrinistas podem aprender e se desenvolver é extremamente importante.

Mas ainda que essas ações do Quarto Mundo para fomentar a produção de quadrinhos brasileira estejam dando certo, elas tem um limite. Apenas com essas ações do Quarto Mundo não seremos capaz de alcançar o tão sonhado mercado de quadrinhos brasileiro. Devemos lembrar que por mais bem intencionados, esforçados, bonitos e cheirosos que sejam os integrantes do Quarto Mundo, ainda assim são apenas um bando de quadrinistas independentes, e pra piorar, entre eles há um arrogante Historiador possuído pelas Musas.

É preciso que outros setores e agentes que compõem esse tal de mercado, como editoras, distribuidoras, varejistas e livreiros, também passem a fomentar a produção de quadrinhos nacionais. E não estou dizendo que eles devem fazer isso só pelo fato de ser quadrinhos nacional. Não. Esse discurso ufanista não existe no Quarto Mundo. Mas sim porque possuímos capacidade de termos um mercado de quadrinhos nacional tão grande, forte, estável e contínuo quanto o de qualquer outro país que já o tem. Felizmente alguma editoras já acordaram para a atual cena independente, e já estão trazendo os quadrinistas que estão se destacando nesse cenário para dentro de suas “fronteiras”. E se mais editoras fizerem isso, maior será a quantidade de quadrinhos que teremos nos 10%.

No que tange ao Quarto Mundo, o coletivo continuará com suas ações de incentivar a produção de quadrinhos nacional. Sabendo, é claro, que os resultados concreto dessas ações não aparecerão agora ou amanhã, mas só daqui a 20 ou 25 anos. Sei disso pois agora sou imbuído pelo espírito das Musas, e através de mim elas enunciam o presente, o passado, e o futuro. E não há porque duvidar do belo canto das Deusas Olimpíades, virgens de Zeus porta-égide.

A Tragetória do Quarto Mundo Até o Momento

sábado, setembro 27th, 2008

Leonardo Melo, André Caliman e Cadu Simões

Difícil precisar exatamente quando tudo começou. Talvez tenha sido em novembro de 2006. Na época, Leonardo Melo e André Caliman tinham recém lançado a revista Quadrinhópole e encontraram o Cadu Simões, criador do Homem-Grilo e então editor da revista Garagem Hermética, do lado de fora do evento Fest Comix, em São Paulo. Juntos, os três reuniram os dois títulos numa pequena mesinha ao lado de um poste, em plena calçada, oferecendo ambas as revistas em promoção. Talvez tenha sido aí o começo de uma colaboração dos quadrinhos independentes. Eles venderam debaixo de sol e de chuva, sem saber que estavam iniciando um movimento.

Meses depois, em fevereiro de 2007, aconteceu o evento de entrega do 23º Troféu Ângelo Agostini. Novamente, organizaram-se para vender as revistas juntos, mas a mesa agora era maior. E qual não foi a surpresa ao verem surgir outros artistas independentes, cada um com seu título, que iam chegando e deixando ali para vender, aos cuidados de Cadu Simões, Leonardo Melo e Will. Percebia-se ali, que estava começando um verdadeiro “boom” na produção nacional, bastante focada em qualidade, tanto gráfica, quanto na produção de roteiros e desenhos de alto nível.

A Banca dos Independentes e o Nome Oficial

O próximo evento, em abril, foi o HQ e Cultura, na Uninove, também em São Paulo, e o aumento de revistas independentes foi ainda maior. Logo, veio o evento de premiação do 19º Troféu HQMIX e a “banca dos independentes”, organizada por Edu Mendes e pela comissão do prêmio, contava com dezenas de títulos dos quatro cantos do Brasil, chegando a parecer uma banca de editora, tudo devidamente organizado.

Percebia-se um forte movimento dos quadrinhos independentes, mas a coisa ainda não estava completamente organizada. E ainda existiam os “calcanharesde-aquiles” deste movimento, que sempre foram a divulgação e a distribuição, apesar do forte destaque em eventos. Foi mais ou menos nessa altura que Leonardo Melo, Cadu Simões e Pablo Casado começaram a trocar idéias por e-mail sobre como contornar estes problemas. Afinal, a produção crescia, mas nada era feito com um foco no fortalecimento do mercado. Logo, entraram na conversa Hector Lima, Leonardo Santana e outros. O que começou com uma simples troca de idéias por e-mail se transformou numa lista de discussão, que em pouco tempo contava com vinte membros. Era o começo do Quarto Mundo, que em pouco tempo já havia sido batizado.

Sistema de Trocas

Para contornar um pouco o problema de distribuição, surgiu o sistema de trocas, em que os autores independentes trocavam títulos entre si e cada um vendia em sua cidade. Ainda não era o ideal, mas era um começo. A internet sempre ajudava na divulgação, mas os autores também começaram a trocar propagandas, que eram publicadas dentro de seus respectivos títulos. Começou a se discutir veementemente formas de resolver os problemas do mercado, formas dos independentes colaborarem entre si. Em setembro, ocorreu o HQ na BA, nas Faculdade Belas Artes de São Paulo, primeiro evento onde o grupo utilizou o nome Quarto Mundo, tendo sido este “debut” registrado pelo programa Metrópolis da TV Cultura.

Aproximava-se o 5º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos - em Belo Horizonte. Já sabíamos da existência de uma quantidade razoável de títulos independentes para tornar viável o aluguel de um estande específico para isso. O custo foi dividido entre os autores interessados em deixar seus títulos para serem vendidos lá. Aproximadamente vinte pessoas entraram na divisão do aluguel, barateando o custo para todos os envolvidos. O estande do Quarto Mundo foi dividido com os independentes de Belo Horizonte, o que deixou o espaço ainda mais atrativo para o público. Foi a grande estréia do grupo, o que chamou a atenção do mercado como um todo. Em quase todas as palestras, o esforço do Quarto Mundo era citado como exemplo a ser reconhecido de uma luta pelo quadrinho nacional. O estande se tornou um dos mais visitados durante todo o evento.

Só por aí se percebe a importância de se construir um grupo deste porte, onde os membros colaboram juntos em prol de todos. Depois do FIQ, em outubro, todos voltaram ainda mais animados e logo se tornou uma tradição ter a “Banca do Quarto Mundo” em eventos relacionados a quadrinhos. Veio a Fest Comix, onde o resultado de vendas independentes foi espantoso, e a Maratona Devir, em dezembro de 2007, que contou com a presença de vários membros do grupo, não apenas vendendo revistas, mas dando palestras, ministrando oficinas e discutindo o mercado nacional.

Fundou-se o Blog Oficial do QM, onde se falava um pouco mais dos membros que dele faziam parte, os títulos, notícias relacionadas e, claro, tratava de publicar alguns quadrinhos feitos pelos artistas-membros.

Já em 2008, tivemos o 24º Ângelo Agostini, que embora não disponibilizasse um espaço para a tradicional Banca do Quarto Mundo - em virtude da reforma no SENAC, onde sempre era realizado o evento - teve muitos membros do grupo levando o troféu para casa. Foi também nesta ocasião que o QM lançou seu primeiro Informativo.

A Força em Eventos e as Indicações ao HQMIX

Depois, ocorreu a 7ª Feira de Quadrinhos e Fanzines da USP, a 3ª Feira de Quadrinho e Arte de Osasco, a Virada Cultural na HQ Mix Livraria, a Feira de Arte da Pompéia e, mais recentemente, a participação do grupo no evento SESC em Quadrinhos, organizado por Eloyr Pacheco em Londrina. Apesar da forte chuva e do frio, este último foi um sucesso de público, o que mostrou a importância de se levar o QM a cidades onde a distribuição não alcança.

Além disso, desde o início do grupo, membros do QM tem participado ativamente de diversas atividades didáticas como aulas de HQ em escolas particulares, oficinas de fanzines em diversas Bibliotecas Municipais de São Paulo e até em palestra para uma turma do Curso de
Editoração da Escola de Comunicação de Artes da USP. Tudo isso no intuito de promover a divulgação e o entendimento do valor das HQs e fomentando a produção independente nos mais diversos locais. Boa parte das indicações ao HQ Mix deste ano têm algum nome do Quarto Mundo nelas, o que novamente ressalta a relevância do coletivo.

Sozinhas, talvez tais pessoas jamais conseguissem um destaque que lhes valesse a indicação. Mas participando do grupo, ganham uma força incomparável.

Hoje, o Quarto Mundo conta com mais de setenta artistas e tem como saldo de tudo isso um merecido destaque. Está sempre presente em eventos e ainda está brigando para encontrar formas de solucionar os duros problemas enfrentados pelo mercado. Nasceu daí um esforço coletivo na valorização e incentivo do quadrinho nacional. Que este esforço não seja em vão, e que todos - membros do QM ou não e, principalmente, os leitores - possam desfrutar dos resultados dessa luta, que continuará sendo exercida dia após dia. Em eventos, na internet ou onde mais o QM possa estar presente.

Pois ainda há muito a ser feito, e ainda estamos apenas
engatinhando…

*Este artigo de Edu Mendes e Leonardo Melo foi publicado originalmente no Informativo Quarto Mundo nº 1 de julho de 2008.

Um Ano de Quarto Mundo

quarta-feira, novembro 12th, 2008

Outubro de 2007, o Quarto Mundo faz sua estréia em grande estilo no 5º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte - MG. Outubro de 2008, hoje. O Quarto Mundo comemora seu primeiro ano de existência. Um ano marcado por vários acontecimentos, sempre batalhando para que os autores nacionais conquistem seu espaço no mercado. O que se passou nesse primeiro ano de vida do coletivo? Será que há algo para se comemorar?

Sim, há muito o que se comemorar. Nossa luta finalmente começou a gerar frutos, e isso só foi possível graças à união dos quadrinhistas de todo o Brasil. Uma retrospectiva de toda essa história já foi feita em nossa edição anterior, onde falamos sobre a trajetória do Quarto Mundo até o HQMIX 2008. Não faz nem três meses que isto aconteceu, mas já temos muitas outras novidades a acrescentar naquela história que vocês leram.

A primeira diz respeito ao próprio HQMIX, premiação em que integrantes do grupo conquistaram oito troféus (desenhista revelação, roteirista revelação, publicação independente de autor, publicação independente de grupo, publicação independente especial, publicação independente de bolso, site de autor, tese de graduação) e onde o grupo foi laureado com um prêmio pelas atividades que vem desenvolvendo. Praticamente não houve um evento de quadrinhos, sobretudo em São Paulo, desde julho de 2007, em que o Quarto Mundo não esteve presente, seja vendendo quadrinhos, seja divulgando o trabalho de todo mundo, ou mesmo dando palestras, entrevistas, oficinas e afins. Vocês viram. Vocês estavam lá. E basicamente foi isso que nos rendeu o Prêmio HQMIX de Contribuição do Ano ao Quadrinho Nacional.

O Prêmio veio em boa hora, pois renovou o ânimo e o nosso compromisso de continuar lutando. Foi um reconhecimento pelo nosso esforço, um presente de um ano de existência e a certeza de que não devemos parar. Jamais! No entanto, o que o Quarto Mundo fez neste primeiro ano de vida ainda é muito pouco perto do seu potencial.

Organização do Grupo

Tendo em vista a necessidade de uma atuação mais forte em várias áreas do mercado, o coletivo começou a se organizar e dividir tarefas entre seus membros. A grande maioria ainda é formada por apoiadores ou entusiastas do movimento, mas alguns já estão fazendo parte dos “Núcleos de Atuação” e trabalhando neles. Cada qual tem uma linha de trabalho específica, com suas metas individuais, embora todos trabalhem juntos com o mesmo objetivo. A seguir falaremos um pouco mais sobre cada uma dessas linhas de trabalho.

Conselho Administrativo: São, na maioria, os coordenadores dos outros núcleos, além de cuidarem dos trâmites administrativos e orientarem os membros de cada núcleo na execução de suas tarefas. O grupo atua em questões que envolvem todas as atividades e membros do coletivo.

Núcleo Distribuição: Agora o Quarto Mundo tem o seu próprio esquema de distribuição, fugindo do cartel formado pelas poucas distribuidoras que existem. A idéia é que cada cidade tenha o seu membro-distribuidor. Ele receberá material do grupo e deixará em consignação diretamente nas bancas e comic shops de sua cidade. Na ilustração estão representados os estados onde existem distribuidores, até o momento de fechamento desta edição.

Núcleo Divulgação: O grupo cria novas estratégias para divulgar os quadrinhos nacionais. Algumas propostas deste núcleo incluem levar o grupo a canais de TV, rádio e mídia impressa, além de ser responsável por criar e divulgar os releases sobre os lançamentos de cada um dos membros.

Núcleo Eventos: Este Núcleo já tem um planejamento a respeito de como o Quarto Mundo irá atuar em vários eventos programados para acontecer até o FIQ 2009. Isso inclui a organização da banca do Quarto Mundo e várias outras atividades correlatas.

Núcleo Internet: Com planos de tradução do blog do Quarto Mundo para outras línguas, o que irá divulgar o quadrinho nacional para fora do Brasil e logo deverá ter visitas suficientes para que ele mantenha-se sozinho, sem a necessidade dos membros dividirem seu domínio e hospedagem. O blog é a principal ferramenta de divulgação do Quarto Mundo na internet, valendo-se do que a própria internet disponibiliza para tanto. É a tática de guerrilha no mundo virtual.

Núcleo Informativo: A publicação-símbolo do coletivo segue em veicular novidades, checklists e trabalhos dos artistas do grupo. A intenção é ter um número novo a cada evento representativo de quadrinhos que aconteça em qualquer ponto do país e que seja acessível para o Quarto Mundo.

As engrenagens começam a rodar, a máquina quartomundista entra em funcionamento. Esse foi o fruto principal deste primeiro ano, e esperamos que as engrenagens não parem mais de rodar daqui em diante, procurando trazer conquistas aos quadrinhistas brasileiros a cada ano que passar.

É este o papel do Quarto Mundo, é a missão com a qual nos comprometemos. Por isso, longa vida ao Quarto Mundo e a todos os autores independentes!

Dez motivos que mostram como o sistema de distribuição do Quarto Mundo é interessante para os pontos de venda e autores independentes:

  1. Revistas que nunca conseguiriam ser aceitas por uma distribuidora pela baixa tiragem chegarão com velocidade aos clientes nas lojas.
  2. Integrantes do grupo coordenarão a chegada e saída de títulos de forma centralizada, liberando o vendedor do trabalho de fazer os acertos individuais com cada editor.
  3. O Quarto Mundo, na intenção de valorizar autores e vendedores, garante 50% do valor de capa para os autores e 30% para os pontos de venda e reserva apenas 20% para cobrir os custos de distribuição, porcentagem esta que pode até mesmo ser diminuída ou anulada, dependendo do critério adotado pelo distribuidor.
  4. Através de displays colocados junto às suas publicações, o grupo sinalizará e endossará os títulos participantes do coletivo.
  5. Através do envio conjunto de publicações os autores terão gastos menores com envio de seus títulos para outros estados que antes se faziam em pequenos pacotes para cada ponto de venda.
  6. O representante do grupo em cada região gerenciará a logística da distribuição enviando um número específico de revistas para cada ponto em função de seus relatórios de venda.
  7. Os pontos de venda passarão a fazer parte da rede Quarto Mundo e serão promovidos no Informativo e no blog do grupo.
  8. O autor acompanha as vendas de suas revistas em planilhas de controle disponibilizadas a todos os membros. Assim ele sabe quanto vendeu em cada comic shop ou evento.
  9. O acerto é feito bimestralmente, assim o autor não precisa se preocupar em fazer conferências ou ficar cobrando donos de loja ou distribuidoras.
  10. Todos divulgam o trabalho de todos, fortalecendo assim a propaganda pelo quadrinho nacional.
*Este artigo de Edu Mendes e Leonardo Melo foi publicado originalmente no Informativo Quarto Mundo nº 2 de outubro de 2008.

Como Fazer Parte do Quarto Mundo

sábado, novembro 15th, 2008

Quando o Quarto Mundo foi criado oficialmente, há cerca de um ano atrás, para fazer parte do nosso coletivo bastava que você fosse indicado por alguém que já fosse membro para que você se tornasse um membro do Quarto Mundo também. Por isso, o núcleo inicial do QM era formado por um grupo de amigos que já se conheciam, seja pessoalmente ou pela Internet.

Mas hoje em dia não é mais assim. O Quarto Mundo cresceu muito de lá pra cá, e tivemos que rever o sistema de organização do coletivo, como está explicado neste artigo. Enquanto reorganizávamos nosso coletivo, fechamos por um tempo a entrada de novo membros para também poder refazer esse processo. Mas agora a entrada de novos membros no QM está novamente aberta, mas sobre novas condições.

De agora em diante não é mais necessário que você seja indicado previamente por alguém que já é membro para poder entrar no Quarto Mundo. O ingresso no nosso coletivo está em princípio aberto a todos os quadrinistas independentes. Ou seja, o requisito essencial que você deve ter para fazer parte do Quarto Mundo é editar uma publicação independente ou participar ativamente de alguma. Se você preenche esse requisito, então você está apto a se candidatar como membro do QM bastando para isso que você preencha este formulário de inscrição.

No entanto, nem todos que preenchem o formulário são automaticamente aceitos no Quarto Mundo. Todos os formulários preenchido são antes avaliados pelo Conselho Administrativo do Quarto Mundo, que julgará quais quadrinistas estão aptos ou não a fazer parte do nosso coletivo. Mas porque há esse julgamento do conselho, filtrando os candidatos a novos membros do QM?

Por um motivo muito simples. O Quarto Mundo é um coletivo, e para que o coletivo funcione é preciso que seus membros saibam trabalhar em equipe. E é justamente isso que será avaliado pelo Conselho nos novos membros, se eles são capazes de trabalhar coletivamente.

O Conselho não irá julgar as suas habilidades técnicas ou artísticas como quadrinista. Isso não interessa para o Quarto Mundo, tanto que temos no nosso coletivo quadrinista nos mais diversos níveis técnicos e artísticos, desde iniciantes que acabaram de fazer seu primeiro fanzine, até quadrinistas experientes que já estão há anos publicando.

O que interessa para o Quarto Mundo são pessoas proativas, que possuem iniciativa, que não ficam esperando alguém lhe dar alguma ordem pra fazer alguma coisa. O nosso coletivo precisa de pessoas dispostas a ajudar seus companheiros e sem esperar nada em troca. No Quarto Mundo não há vez para pessoas egoístas e que só pensam em si mesmas.

O Quarto Mundo só está avançando e conquistando seu espaço devido ao esforço coletivo de seus membros, que se sacrificam em prol de um objetivo comum; construir um consistente mercado de quadrinhos brasileiros onde os quadrinistas tenham condições básicas para exercer sua profissão e possam receber dignamente por seu trabalho. Se você também está disposto a se sacrificar por este objetivo, então tenha certeza, você é a pessoa que o Quarto Mundo precisa.

Então antes de preencher a ficha de inscrição, pense bem sobre tudo o que eu disse acima. Procure também se informar bem a respeito do Quarto Mundo, de suas atividades e objetivos. Uma boa forma de começar é lendo os artigos sobre o QM que foram publicados aqui mesmo no blog.

E se você já preencheu a ficha de inscrição, mas ainda não recebeu uma resposta, não se preocupe, é assim mesmo. Recebemos diversas fichas de inscrição que o Conselho deve avaliar cuidadosamente, uma por uma. Por isso, a resposta de sua aprovação pode demorar, variando de alguns dias a até mesmo algumas semanas, dependendo das disponibilidade dos membros do Conselho.

Uma vez que você tenha sido aprovado no Quarto Mundo, você terá seu e-mail incluído no nosso grupo de e-mails. No entanto, não se trata aqui de um grupo de discussão de quadrinhos, mas sim de um “grupo de ação”. O nosso grupo de e-mails possui um função prática bem específica, é lá onde decidimos as ações e atividades do Quarto Mundo. Então se você vê o Quarto Mundo como um simples grupo para discussão de quadrinhos, sinto muito decepcioná-lo, mas o grupo do QM não é para isso. Se o seu objetivo é apenas discutir quadrinhos de forma mais teórica, então sugiro que se inscreva apenas no Quinto Mundo, que é justamente o nosso fórum aberto de discussões sobre quadrinhos, em seus diferentes aspectos, desde o roteiro a produção final.

E para aquele de vocês que for aprovado e aceito no Quarto Mundo, eu só posso lhe prometer o seguinte: você vai trabalhar mais do que já trabalhou em toda a sua vida. Você verá o seu tempo livre diminuir, suas horas de sono evaporarem, e sua vida social desaparecer completamente. Muito provavelmente a sua namorada(o) ou esposa(o) vai abandoná-lo(la). Mas apesar de tudo isso, no final você estará feliz, por mais absurdo que isso possa parecer. E você estará feliz justamente porque diferente da maioria das pessoas do mundo, você estará trabalhando com aquilo que gosta, e vivendo dos frutos do seu trabalho.