Posts Tagged ‘mercado editorial’

Qual a Importância do 4º Mundo?

sexta-feira, junho 13th, 2008

No Manifesto Quartomundista eu defini exatamente o que é (e o que não é) o Quarto Mundo e quais são seus objetivos. Passados cerca de 10 meses após a criação oficial do coletivo, este novo texto se propõe então a mostrar o que de fato o Quarto Mundo cumpriu e está cumprindo de suas metas, e também o que fará daqui pra frente.

Pois bem, como sou Historiador, meu domínio é estritamente o passado, e não tenho muita habilidade de tratar do presente e do futuro como será necessário neste texto. Por isso evoco agora o auxilio da Musas, Deusas Olimpíades, senhoras do Tempo, virgens de Zeus porta-égide, sabedoras de mentiras que parecem verdades, e de verdades que só elas podem enunciar. Pelas Musas, cantarei.

Mas afinal de contas, qual a importância do Quarto Mundo para o atual cenário de publicação de quadrinhos brasileiros? Se eu fosse humilde, responderia que não tem nenhuma importância. Com ou sem o Quarto Mundo a atual produção de quadrinhos no Brasil estaria do mesmo jeito. Mas eu não sou humilde. E com minha natural arrogância aliada ao espírito das musas que agora me possuem, respondo que não teríamos alcançado o atual cenário se não fosse a atuação do Quarto Mundo, direta, ou indiretamente.

Que as Musas enunciem os fatos. No mês de março deste ano tivemos 10 lançamentos de quadrinhos nacionais (excluindo-se, é claro, Turma da Mônica) segundo checklist do Universo HQ (sendo que destes, vale ressaltar, 5 foram independentes e todos pertencentes ao Quarto Mundo). É bem pouco para considerarmos que já temos um nacional forte e diversificado, certo? No entanto, essa foi a mesma quantidade de lançamento que tivemos no primeiro trimestre inteirinho de 2007. Ou seja, podemos perceber um nítido crescimento do número de publicações. Mas ainda estamos muito longe do ideal (tanto em quantidade, quanto em qualidade, lembrando que uma coisa puxa a outra), principalmente se compararmos nossa produção a mercados de quadrinhos já consolidados. Enquanto lançamos 10 títulos, o mercado norte-americano lançou no mesmo mês de março exatamente 632 títulos (segundo lista da Diamond, então se supõe que o número seja maior ainda, podendo chegar a cerca de mil lançamento, dado que há diversos produtores pequenos ou independentes que não distribuem por essa empresa).

A grande questão é a seguinte; como a produção gringa é quantitativamente bem maior que a nossa, a produção de quadrinhos acima da média deles e que estão nos 10% (segundo a , explicada no segundo pilar do manifesto quartomundista) é logicamente também bem maior. Então se eles produzem cerca de mil títulos por mês, possivelmente 100 revistas que eles lançaram estariam acima da média, enquanto que nós, produzindo apenas 10 títulos por mês, possivelmente apenas uma delas estaria no mesmo nível dos 10% norte-americano. Como podem ver, é de fato uma comparação desleal.

É por isso que a principal bandeira do 4mundo é incentivar cada vez mais quadrinistas a produzirem de forma independente, seja em fanzines, revistas, álbuns ou em webcomics. Pois só com o aumento quantitativo da produção é que se tem um aumento qualitativo (e isso vale tanto no nível individual, quanto coletivo). Então se quisermos que a nossa produção nacional seja tão boa quanto a gringa, temos que no mínimo produzir tanto quanto eles.

E como tem acontecido essa fomentação da produção de quadrinhos pelo Quarto Mundo? Primeiramente, dando saída a produção que já existe, fazendo essas revistas chegarem a seus respectivos leitores. E isso é feito principalmente com a participação do Quarto Mundo em eventos, shows e feiras. Um bom exemplo disso foi a participação do Quarto Mundo na última Feira de Artes da Vila Pompéia, em que conseguimos de fato furar “a bolha”, atingindo um público completamente novo, que não é habitual de quadrinhos, mas que é consumidor de arte e cultura, e estão livre de qualquer preconceito com os quadrinhos nacionais como costuma haver entre os fanboys. Se cada uma daquelas pessoas que comprou nossos quadrinhos na feira, gostar do que ler, poderá se tornar um de quadrinhos, e principalmente, dos nossos quadrinhos. E é esse outro dos grandes focos do 4mundo. Formar um novo público para nossos quadrinhos e criar o nosso próprio mercado consumidor. E pouco a pouco, em ação como essas, estamos conseguindo fazer isso.

A segunda forma de fomentar a produção está sendo feita de modo online, tanto aqui no blog do Quarto Mundo, quanto no Quinto Mundo, o nosso fórum aberto de discussão. No blog é publicado todos os dias novas páginas de histórias em quadrinhos, não só dos próprios integrantes do Quarto Mundo, mas também de qualquer um que quiser colaborar com suas HQ’s. Já no fórum é discutido tudo que envolve a produção de quadrinhos, do roteiro a edição final. E lá estão quadrinistas dos mais variados estilos, nos mais diversos níveis de experiências, trocando idéias entre si, colaborando desta forma para o crescimento e a evolução técnica e artística de todos eles. Em um país onde não existe uma formação superior específica para quadrinistas, até mesmo porque ainda não existe uma mercado de atuação para os futuros profissionais formados, um fórum como o Quinto Mundo onde os quadrinistas podem aprender e se desenvolver é extremamente importante.

Mas ainda que essas ações do Quarto Mundo para fomentar a produção de quadrinhos brasileira estejam dando certo, elas tem um limite. Apenas com essas ações do Quarto Mundo não seremos capaz de alcançar o tão sonhado brasileiro. Devemos lembrar que por mais bem intencionados, esforçados, bonitos e cheirosos que sejam os integrantes do Quarto Mundo, ainda assim são apenas um bando de quadrinistas independentes, e pra piorar, entre eles há um arrogante Historiador possuído pelas Musas.

É preciso que outros setores e agentes que compõem esse tal de mercado, como editoras, distribuidoras, varejistas e livreiros, também passem a fomentar a produção de quadrinhos nacionais. E não estou dizendo que eles devem fazer isso só pelo fato de ser quadrinhos nacional. Não. Esse discurso ufanista não existe no Quarto Mundo. Mas sim porque possuímos capacidade de termos um nacional tão grande, forte, estável e contínuo quanto o de qualquer outro país que já o tem. Felizmente alguma editoras já acordaram para a atual cena independente, e já estão trazendo os quadrinistas que estão se destacando nesse cenário para dentro de suas “fronteiras”. E se mais editoras fizerem isso, maior será a quantidade de quadrinhos que teremos nos 10%.

No que tange ao Quarto Mundo, o coletivo continuará com suas ações de incentivar a produção de quadrinhos nacional. Sabendo, é claro, que os resultados concreto dessas ações não aparecerão agora ou amanhã, mas só daqui a 20 ou 25 anos. Sei disso pois agora sou imbuído pelo espírito das Musas, e através de mim elas enunciam o presente, o passado, e o futuro. E não há porque duvidar do belo canto das Deusas Olimpíades, virgens de Zeus porta-égide.

Posts Relacionados

Florianópolis em Quadrinhos

quinta-feira, outubro 30th, 2008

A partir de hoje até dia 02 de novembro acontece em Floripa o Florianópolis em Quadrinhos, e como todo de quadrinhos que se preze, contará com a participação do Quarto Mundo, desta vez representado pela quadrinista Fernanda Chiella (e você achava que só tinha machos feios e sujos no coletivo, hein?).

A Fernanda irá participar do painel que acontece hoje sobre o O de Quadrinhos. Confiram abaixo a programação completa do :

30 de outubro de 2008

19h 15 - Abertura da Exposição: Os 70 Anos do Superman. Exposição de gibis e revistas que marcaram a trajetória do mitológico personagem.

Atração: Super pôster da capa da 1ª Edição da Revista do Superman.

19h 30 – Painel – O de Quadrinhos
Mediador: Mário Luiz Barroso
Convidados: Samuel Casal, Galvão, Fernanda Chiella e Daniel Vardi

31 de Outubro de 2008

19h 30 - Painel – Os 70 anos do Superman
Convidados: Ivan Reis, Joe Prado, Mário Luiz Barroso, Daniel Soares e Rafael Soares

01 de Novembro de 2008

15h Análise de Portfólio (mediante inscrição)

16h 30 - Tarde de autógrafos de Ivan Reis e Joe Prado

02 de Novembro de 2008

Encerramento
Exposição – Os 70 Anos do Superman

Local: Shopping Iguatemi . Avenida Madre Benvenuta, 687.

Posts Relacionados