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Qual a Importância do 4º Mundo?

sexta-feira, junho 13th, 2008

No Manifesto Quartomundista eu defini exatamente o que é (e o que não é) o Quarto Mundo e quais são seus objetivos. Passados cerca de 10 meses após a criação oficial do , este novo texto se propõe então a mostrar o que de fato o Quarto Mundo cumpriu e está cumprindo de suas metas, e também o que fará daqui pra frente.

Pois bem, como sou Historiador, meu domínio é estritamente o passado, e não tenho muita habilidade de tratar do presente e do futuro como será necessário neste texto. Por isso evoco agora o auxilio da Musas, Deusas Olimpíades, senhoras do Tempo, virgens de Zeus porta-égide, sabedoras de mentiras que parecem verdades, e de verdades que só elas podem enunciar. Pelas Musas, cantarei.

Mas afinal de contas, qual a importância do Quarto Mundo para o atual cenário de publicação de quadrinhos brasileiros? Se eu fosse humilde, responderia que não tem nenhuma importância. Com ou sem o Quarto Mundo a atual produção de quadrinhos no Brasil estaria do mesmo jeito. Mas eu não sou humilde. E com minha natural arrogância aliada ao espírito das musas que agora me possuem, respondo que não teríamos alcançado o atual cenário se não fosse a atuação do Quarto Mundo, direta, ou indiretamente.

Que as Musas enunciem os fatos. No mês de março deste ano tivemos 10 lançamentos de quadrinhos nacionais (excluindo-se, é claro, Turma da Mônica) segundo checklist do Universo HQ (sendo que destes, vale ressaltar, 5 foram independentes e todos pertencentes ao Quarto Mundo). É bem pouco para considerarmos que já temos um nacional forte e diversificado, certo? No entanto, essa foi a mesma quantidade de lançamento que tivemos no primeiro trimestre inteirinho de 2007. Ou seja, podemos perceber um nítido crescimento do número de publicações. Mas ainda estamos muito longe do ideal (tanto em quantidade, quanto em qualidade, lembrando que uma coisa puxa a outra), principalmente se compararmos nossa produção a mercados de quadrinhos já consolidados. Enquanto lançamos 10 títulos, o mercado norte-americano lançou no mesmo mês de março exatamente 632 títulos (segundo lista da Diamond, então se supõe que o número seja maior ainda, podendo chegar a cerca de mil lançamento, dado que há diversos produtores pequenos ou independentes que não distribuem por essa empresa).

A grande questão é a seguinte; como a produção gringa é quantitativamente bem maior que a nossa, a produção de quadrinhos acima da média deles e que estão nos 10% (segundo a , explicada no segundo pilar do manifesto quartomundista) é logicamente também bem maior. Então se eles produzem cerca de mil títulos por mês, possivelmente 100 revistas que eles lançaram estariam acima da média, enquanto que nós, produzindo apenas 10 títulos por mês, possivelmente apenas uma delas estaria no mesmo nível dos 10% norte-americano. Como podem ver, é de fato uma comparação desleal.

É por isso que a principal bandeira do 4mundo é incentivar cada vez mais quadrinistas a produzirem de forma independente, seja em , revistas, álbuns ou em webcomics. Pois só com o aumento quantitativo da produção é que se tem um aumento qualitativo (e isso vale tanto no nível individual, quanto ). Então se quisermos que a nossa produção nacional seja tão boa quanto a gringa, temos que no mínimo produzir tanto quanto eles.

E como tem acontecido essa fomentação da produção de quadrinhos pelo Quarto Mundo? Primeiramente, dando saída a produção que já existe, fazendo essas revistas chegarem a seus respectivos leitores. E isso é feito principalmente com a participação do Quarto Mundo em eventos, shows e feiras. Um bom exemplo disso foi a participação do Quarto Mundo na última Feira de Artes da Vila Pompéia, em que conseguimos de fato furar “a bolha”, atingindo um público completamente novo, que não é habitual de quadrinhos, mas que é consumidor de arte e cultura, e estão livre de qualquer preconceito com os quadrinhos nacionais como costuma haver entre os fanboys. Se cada uma daquelas pessoas que comprou nossos quadrinhos na feira, gostar do que ler, poderá se tornar um de quadrinhos, e principalmente, dos nossos quadrinhos. E é esse outro dos grandes focos do 4mundo. Formar um novo público para nossos quadrinhos e criar o nosso próprio mercado consumidor. E pouco a pouco, em ação como essas, estamos conseguindo fazer isso.

A segunda forma de fomentar a produção está sendo feita de modo online, tanto aqui no blog do Quarto Mundo, quanto no Quinto Mundo, o nosso fórum aberto de discussão. No blog é publicado todos os dias novas páginas de histórias em quadrinhos, não só dos próprios integrantes do Quarto Mundo, mas também de qualquer um que quiser colaborar com suas HQ’s. Já no fórum é discutido tudo que envolve a produção de quadrinhos, do roteiro a edição final. E lá estão quadrinistas dos mais variados estilos, nos mais diversos níveis de experiências, trocando idéias entre si, colaborando desta forma para o crescimento e a evolução técnica e artística de todos eles. Em um país onde não existe uma formação superior específica para quadrinistas, até mesmo porque ainda não existe uma mercado de atuação para os futuros profissionais formados, um fórum como o Quinto Mundo onde os quadrinistas podem aprender e se desenvolver é extremamente importante.

Mas ainda que essas ações do Quarto Mundo para fomentar a produção de quadrinhos brasileira estejam dando certo, elas tem um limite. Apenas com essas ações do Quarto Mundo não seremos capaz de alcançar o tão sonhado brasileiro. Devemos lembrar que por mais bem intencionados, esforçados, bonitos e cheirosos que sejam os integrantes do Quarto Mundo, ainda assim são apenas um bando de quadrinistas independentes, e pra piorar, entre eles há um arrogante Historiador possuído pelas Musas.

É preciso que outros setores e agentes que compõem esse tal de mercado, como editoras, distribuidoras, varejistas e livreiros, também passem a fomentar a produção de quadrinhos nacionais. E não estou dizendo que eles devem fazer isso só pelo fato de ser quadrinhos nacional. Não. Esse discurso ufanista não existe no Quarto Mundo. Mas sim porque possuímos capacidade de termos um nacional tão grande, forte, estável e contínuo quanto o de qualquer outro país que já o tem. Felizmente alguma editoras já acordaram para a atual cena independente, e já estão trazendo os quadrinistas que estão se destacando nesse cenário para dentro de suas “fronteiras”. E se mais editoras fizerem isso, maior será a quantidade de quadrinhos que teremos nos 10%.

No que tange ao Quarto Mundo, o continuará com suas ações de incentivar a produção de quadrinhos nacional. Sabendo, é claro, que os resultados concreto dessas ações não aparecerão agora ou amanhã, mas só daqui a 20 ou 25 anos. Sei disso pois agora sou imbuído pelo espírito das Musas, e através de mim elas enunciam o presente, o passado, e o futuro. E não há porque duvidar do belo canto das Deusas Olimpíades, virgens de Zeus porta-égide.

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Um Ano de Quarto Mundo

quarta-feira, novembro 12th, 2008

Outubro de 2007, o Quarto Mundo faz sua estréia em grande estilo no 5º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte - MG. Outubro de 2008, hoje. O Quarto Mundo comemora seu primeiro ano de existência. Um ano marcado por vários acontecimentos, sempre batalhando para que os autores nacionais conquistem seu espaço no mercado. O que se passou nesse primeiro ano de vida do ? Será que há algo para se comemorar?

Sim, há muito o que se comemorar. Nossa luta finalmente começou a gerar frutos, e isso só foi possível graças à união dos quadrinhistas de todo o Brasil. Uma retrospectiva de toda essa história já foi feita em nossa edição anterior, onde falamos sobre a trajetória do Quarto Mundo até o HQMIX 2008. Não faz nem três meses que isto aconteceu, mas já temos muitas outras novidades a acrescentar naquela história que vocês leram.

A primeira diz respeito ao próprio HQMIX, premiação em que integrantes do grupo conquistaram oito troféus (desenhista revelação, roteirista revelação, publicação independente de autor, publicação independente de grupo, publicação independente especial, publicação independente de bolso, site de autor, tese de graduação) e onde o grupo foi laureado com um prêmio pelas atividades que vem desenvolvendo. Praticamente não houve um de quadrinhos, sobretudo em São Paulo, desde julho de 2007, em que o Quarto Mundo não esteve presente, seja vendendo quadrinhos, seja divulgando o trabalho de todo mundo, ou mesmo dando , entrevistas, e afins. Vocês viram. Vocês estavam lá. E basicamente foi isso que nos rendeu o Prêmio HQMIX de Contribuição do Ano ao Quadrinho Nacional.

O Prêmio veio em boa hora, pois renovou o ânimo e o nosso compromisso de continuar lutando. Foi um reconhecimento pelo nosso esforço, um presente de um ano de existência e a certeza de que não devemos parar. Jamais! No entanto, o que o Quarto Mundo fez neste primeiro ano de vida ainda é muito pouco perto do seu potencial.

Organização do Grupo

Tendo em vista a necessidade de uma atuação mais forte em várias áreas do mercado, o começou a se organizar e dividir tarefas entre seus membros. A grande maioria ainda é formada por apoiadores ou entusiastas do movimento, mas alguns já estão fazendo parte dos “Núcleos de Atuação” e trabalhando neles. Cada qual tem uma linha de trabalho específica, com suas metas individuais, embora todos trabalhem juntos com o mesmo objetivo. A seguir falaremos um pouco mais sobre cada uma dessas linhas de trabalho.

Conselho Administrativo: São, na maioria, os coordenadores dos outros núcleos, além de cuidarem dos trâmites administrativos e orientarem os membros de cada núcleo na execução de suas tarefas. O grupo atua em questões que envolvem todas as atividades e membros do .

Núcleo : Agora o Quarto Mundo tem o seu próprio esquema de , fugindo do cartel formado pelas poucas distribuidoras que existem. A idéia é que cada cidade tenha o seu membro-distribuidor. Ele receberá material do grupo e deixará em consignação diretamente nas bancas e comic shops de sua cidade. Na ilustração estão representados os estados onde existem distribuidores, até o momento de fechamento desta edição.

Núcleo : O grupo cria novas estratégias para divulgar os quadrinhos nacionais. Algumas propostas deste núcleo incluem levar o grupo a canais de TV, rádio e mídia impressa, além de ser responsável por criar e divulgar os releases sobre os lançamentos de cada um dos membros.

Núcleo Eventos: Este Núcleo já tem um planejamento a respeito de como o Quarto Mundo irá atuar em vários eventos programados para acontecer até o FIQ 2009. Isso inclui a organização da banca do Quarto Mundo e várias outras atividades correlatas.

Núcleo Internet: Com planos de tradução do blog do Quarto Mundo para outras línguas, o que irá divulgar o quadrinho nacional para fora do Brasil e logo deverá ter visitas suficientes para que ele mantenha-se sozinho, sem a necessidade dos membros dividirem seu domínio e hospedagem. O blog é a principal ferramenta de do Quarto Mundo na internet, valendo-se do que a própria internet disponibiliza para tanto. É a tática de guerrilha no mundo virtual.

Núcleo Informativo: A publicação-símbolo do segue em veicular novidades, checklists e trabalhos dos artistas do grupo. A intenção é ter um número novo a cada representativo de quadrinhos que aconteça em qualquer ponto do país e que seja acessível para o Quarto Mundo.

As engrenagens começam a rodar, a máquina quartomundista entra em funcionamento. Esse foi o fruto principal deste primeiro ano, e esperamos que as engrenagens não parem mais de rodar daqui em diante, procurando trazer conquistas aos quadrinhistas brasileiros a cada ano que passar.

É este o papel do Quarto Mundo, é a missão com a qual nos comprometemos. Por isso, longa vida ao Quarto Mundo e a todos os autores independentes!

Dez motivos que mostram como o sistema de do Quarto Mundo é interessante para os pontos de venda e autores independentes:

  1. Revistas que nunca conseguiriam ser aceitas por uma distribuidora pela baixa tiragem chegarão com velocidade aos clientes nas lojas.
  2. Integrantes do grupo coordenarão a chegada e saída de títulos de forma centralizada, liberando o vendedor do trabalho de fazer os acertos individuais com cada editor.
  3. O Quarto Mundo, na intenção de valorizar autores e vendedores, garante 50% do valor de capa para os autores e 30% para os pontos de venda e reserva apenas 20% para cobrir os custos de , porcentagem esta que pode até mesmo ser diminuída ou anulada, dependendo do critério adotado pelo distribuidor.
  4. Através de displays colocados junto às suas publicações, o grupo sinalizará e endossará os títulos participantes do .
  5. Através do envio conjunto de publicações os autores terão gastos menores com envio de seus títulos para outros estados que antes se faziam em pequenos pacotes para cada ponto de venda.
  6. O representante do grupo em cada região gerenciará a logística da enviando um número específico de revistas para cada ponto em função de seus relatórios de venda.
  7. Os pontos de venda passarão a fazer parte da rede Quarto Mundo e serão promovidos no Informativo e no blog do grupo.
  8. O autor acompanha as vendas de suas revistas em planilhas de controle disponibilizadas a todos os membros. Assim ele sabe quanto vendeu em cada comic shop ou .
  9. O acerto é feito bimestralmente, assim o autor não precisa se preocupar em fazer conferências ou ficar cobrando donos de loja ou distribuidoras.
  10. Todos divulgam o trabalho de todos, fortalecendo assim a propaganda pelo quadrinho nacional.
*Este artigo de Edu Mendes e Leonardo Melo foi publicado originalmente no Informativo Quarto Mundo nº 2 de outubro de 2008.

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Como Fazer Parte do Quarto Mundo

sábado, novembro 15th, 2008

Quando o Quarto Mundo foi criado oficialmente, há cerca de um ano atrás, para fazer parte do nosso bastava que você fosse indicado por alguém que já fosse membro para que você se tornasse um membro do Quarto Mundo também. Por isso, o núcleo inicial do QM era formado por um grupo de amigos que já se conheciam, seja pessoalmente ou pela Internet.

Mas hoje em dia não é mais assim. O Quarto Mundo cresceu muito de lá pra cá, e tivemos que rever o sistema de organização do , como está explicado neste artigo. Enquanto reorganizávamos nosso , fechamos por um tempo a entrada de novo membros para também poder refazer esse processo. Mas agora a entrada de novos membros no QM está novamente aberta, mas sobre novas condições.

De agora em diante não é mais necessário que você seja indicado previamente por alguém que já é membro para poder entrar no Quarto Mundo. O ingresso no nosso está em princípio aberto a todos os quadrinistas independentes. Ou seja, o requisito essencial que você deve ter para fazer parte do Quarto Mundo é editar uma publicação independente ou participar ativamente de alguma. Se você preenche esse requisito, então você está apto a se candidatar como membro do QM bastando para isso que você preencha este formulário de inscrição.

No entanto, nem todos que preenchem o formulário são automaticamente aceitos no Quarto Mundo. Todos os formulários preenchido são antes avaliados pelo Conselho Administrativo do Quarto Mundo, que julgará quais quadrinistas estão aptos ou não a fazer parte do nosso . Mas porque há esse julgamento do conselho, filtrando os candidatos a novos membros do QM?

Por um motivo muito simples. O Quarto Mundo é um , e para que o funcione é preciso que seus membros saibam trabalhar em equipe. E é justamente isso que será avaliado pelo Conselho nos novos membros, se eles são capazes de trabalhar coletivamente.

O Conselho não irá julgar as suas habilidades técnicas ou artísticas como . Isso não interessa para o Quarto Mundo, tanto que temos no nosso nos mais diversos níveis técnicos e artísticos desde iniciantes que acabaram de fazer seu primeiro fanzine, até quadrinistas experientes que já estão há anos publicando.

O que interessa para o Quarto Mundo são pessoas proativas, que possuem iniciativa, que não ficam esperando alguém lhe dar alguma ordem pra fazer alguma coisa. O nosso precisa de pessoas dispostas a ajudar seus companheiros e sem esperar nada em troca. No Quarto Mundo não há vez para pessoas egoístas e que só pensam em si mesmas.

O Quarto Mundo só está avançando e conquistando seu espaço devido ao esforço de seus membros, que se sacrificam em prol de um objetivo comum; construir um consistente brasileiros onde os quadrinistas tenham condições básicas para exercer sua profissão e possam receber dignamente por seu trabalho. Se você também está disposto a se sacrificar por este objetivo, então tenha certeza, você é a pessoa que o Quarto Mundo precisa.

Então antes de preencher a ficha de inscrição, pense bem sobre tudo o que eu disse acima. Procure também se informar bem a respeito do Quarto Mundo, de suas atividades e objetivos. Uma boa forma de começar é lendo os artigos sobre o QM que foram publicados aqui mesmo no blog.

E se você já preencheu a ficha de inscrição, mas ainda não recebeu uma resposta, não se preocupe, é assim mesmo. Recebemos diversas fichas de inscrição que o Conselho deve avaliar cuidadosamente, uma por uma. Por isso, a resposta de sua aprovação pode demorar, variando de alguns dias a até mesmo algumas semanas, dependendo das disponibilidade dos membros do Conselho.

Uma vez que você tenha sido aprovado no Quarto Mundo, você terá seu e-mail incluído no nosso grupo de e-mails. No entanto, não se trata aqui de um grupo de discussão de quadrinhos, mas sim de um “grupo de ação”. O nosso grupo de e-mails possui um função prática bem específica; é lá onde decidimos as ações e atividades do Quarto Mundo. Então se você vê o Quarto Mundo como um simples grupo para discussão de quadrinhos, sinto muito decepcioná-lo, mas o grupo do QM não é para isso. Se o seu objetivo é apenas discutir quadrinhos de forma mais teórica, então sugiro que se inscreva apenas no Quinto Mundo, que é justamente o nosso fórum aberto de discussões sobre quadrinhos, em seus diferentes aspectos, desde o roteiro a produção final.

E para aquele de vocês que for aprovado e aceito no Quarto Mundo, eu só posso lhe prometer o seguinte: você vai trabalhar mais do que já trabalhou em toda a sua vida. Você verá o seu tempo livre diminuir, suas horas de sono evaporarem, e sua vida social desaparecer completamente. Muito provavelmente a sua namorada(o) ou esposa(o) vai abandoná-lo(la). Mas apesar de tudo isso, no final você estará feliz, por mais absurdo que isso possa parecer. E você estará feliz justamente porque diferente da maioria das pessoas do mundo, você estará trabalhando com aquilo que gosta, e vivendo dos frutos do seu trabalho.

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Festival de Quadrinhos na FNAC Curitiba

segunda-feira, dezembro 8th, 2008

Começa a partir de hoje até sexta na de Curitiba o “HQ o Quê” que trará diversas e sobre quadrinhos, além da continuação da Jam Session “O Crime do Teishouko Preto” que iniciou com os quadrinistras de São Paulo e também já passou por Porto Alegre (aliás, estou curioso pra saber em que pé está esse história).

E o destaque da programação fica por conta do debate sobre o que acontecerá amanhã, e que contará com a presença de alguns dos integrantes curitibanos do Quarto Mundo.

Confiram abaixo a programaçao completa do :

Data: Segunda-Feira 08/12/2008 19:00
WORKSHOP - “Jam Session”

Trata-se da confecção de uma história em quadrinhos coletiva com a coordenação de Gualbeto Costa (criador do Troféu HQMIX). No ponto em que um artista termina o outro continua e assim por diante, sempre mantendo as características pessoais de cada artista, mas integrada a uma produção coletiva. Ela começou em São Paulo, foi para Porto Alegre e agora chega a Curitiba. Com isso, teremos um painel e uma mostra da atual geração de quadrinhistas do Brasil, que será publicado em um livro pela Devir.

Data: Terça-Feira 09/12/2008 19:00
BATE-PAPO - “Publicação independente”

O cenário de quadrinhos brasileiros tem melhorado bastante, tanto pelo aumento de produção, quanto pelo aumento de qualidade. E muito disso se deve a uma forte produção de quadrinhos independente, que hoje no Brasil, representa 90% do que é publicado. Os quadrinhistas Leonardo Melo, Andre Caliman e Plínio Filho, com mediação de José Aguiar discutem se os independentes serão a solução para os problemas do .

Data: Quarta-Feira 10/12/2008 19:00
BATE-PAPO - “Quadrinhos e Educação”

Quando bem utilizados, os quadrinhos exercitam a criatividade e a imaginação da criança. Podem servir de reforço e incentivo ao hábito da leitura, e constituem uma linguagem altamente dinâmica. Para falar sobre este tema teremos o cartunista Benett, as pedagogas Jaqueline Cristina Paulo e Kamilla Bertinatto – também especialista em educação infantil - com a mediação e oficina infantil do cartunista Rodrigo Belato, criador do personagem Punk Afonso. Participação especial de crianças leitoras e fãs de HQ.

Data: Quinta-Feira 11/12/2008 19:00
BATE-PAPO - “Formas de se fazer quadrinhos”

Nesse dia o Festival de Quadrinhos trás participação especial Fernando Gonsáles, lançando seu álbum Níquel Náusea - Em Boca Fechada Não Entra Mosca. Além do lançamento de Gonsáles, o bate-papo contará com a presença dos cartunistas Benett, Rodrigo Belato e convidados que irão falar sobre as diferentes maneiras de se fazer quadrinhos.

Data: Sexta-Feira 12/12/2008 19:00
OFICINA - “A Narrativa nos Quadrinhos”

Para encerrar o Festival de quadrinhos, o cartunista Rodrigo Belato e a roteirista Tainá Pires vêm ao palco de eventos da Fnac para realizar uma oficina sobre a Narrativa nos Quadrinhos. Belato aproveita para exibir o desenho animado “Punk Afonso e o Abominável Homem Palito das Neves!”, animação da personagem de sua criação, a qual também faz parte do seu mais novo lançamento: o Gibi Mensal “Punk Afonso”.

Festival de Quadrinhos na FNAC Curitiba

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Ainda é só o Começo

terça-feira, dezembro 9th, 2008

Se você acompanha o blog do Quarto Mundo desde o seu início, já deve estar careca de saber quais são os objetivos do nosso coletivo, e qual é a importância dele para a consolidação de um verdadeiro brasileiros. Mas como parece haver gente, mesmo entre os quadrinistas, que ainda não entendeu a idéia por trás do Quarto Mundo, não custa nada reforçá-la mais uma vez. Assim também aproveito pra dar uma recapitulada desse ano de 2008 para o nosso , e concluindo com as propostas do QM para os próximos anos.

Costumo dizer entre meus colegas de que saberemos com certeza que possuímos de fato um brasileiros quando o próprio Quarto Mundo se tornar inútil, não mais necessário, e então deixar de existir. Pois as tarefas que o QM se propõe a fazer, como distribuir revistas, divulgá-las, encontrar novos pontos de venda, criar novos leitores, etc, na verdade não deveria ser feita por quadrinistas. Quadrinistas, em teoria, deveriam se preocupar apenas em produzir quadrinhos, e toda essa parte “chata” de editoração, e logística dos quadrinhos deveriam ser feitos por outros profissionais do ramo.

Mas por uma série de razões não é isso que acontece, infelizmente. As editoras não querem investir em propaganda ou pesquisa de mercado (mesmo as grandes que tem dinheiro para isso), e as distribuidoras não querem distribuir material para públicos segmentados e variados que vão além do tradicional público de quadrinhos. Agindo desta forma, tanto editoras como as distribuidoras apostam apenas em gêneros de quadrinhos já carimbados e para um público que já é comprador de quadrinhos, de forma a conseguir lucro rápido e sem precisar gastar muito dinheiro. Esse tipo de atitude inviabiliza completamente o surgimento de um mercado forte de quadrinhos brasileiros, pois sem investimentos, não há como os quadrinhos nacionais venderem bem e se firmarem, como acontece com o material que vem de fora, que ao contrário do nosso, já de antemão possui um alto investimento feito pelas editoras de seus países de origem.

Vale lembrar que, por melhor que seja seu quadrinho, ele não vai vender por si próprio se ninguém o conhece. E a única forma de fazer as pessoas conhecê-lo é através da publicidade, na suas mais diversas formas, seja o simples boca-a-boca ou a propaganda na mídias. É por isso que se uma editora publica um gibi do Super-Homem, essa editora não precisa necessariamente investir em publicidade pra poder vendê-lo, pois além do fato do personagem já ser um ícone cultural e amplamente conhecido, a propaganda da revista já foi feita pela DC-Warner e replicada nas mídias nacionais (aliás, tem um monte de site que apenas se limita a fazer copy and paste do que sai nos sites gringos).

Mas se essa mesma editora ousasse publicar um quadrinho nacional de um personagem desconhecido e para um público que não é o de super-heróis, muito provavelmente ela iria simplesmente jogar esse quadrinho nas bancas ou nas livrarias como faz com o Super-Homem, e apenas ficaria esperando que ele venda bem sem qualquer investimento em propaganda, o que é uma puta idiotice. Até mesmo um cara que acabou de entrar na faculdade de publicidade sabe que esse quadrinho não vai vender porra nenhuma, ainda mais no primeiro número, mesmo que seja cem vezes melhor que o Super-Homem.

E nós do Quarto Mundo também sabemos que um quadrinho não se vende por si só. Que ele não se distribui sozinho. Que ele não alcança os seus leitores por pura mágica, por melhor que seja a qualidade da obra. E se ninguém mais se propõe a exercer devidamente essas funções editoriais-administrativas-logística dos quadrinhos, então nós quadrinistas do Quarto Mundo resolvemos arregaçar as mangas e começamos a executar essas tarefas nós mesmos. Afinal, nada mais coerente, já que somos os principais interessados na criação de uma infraestrutura básica que permita a existência de um brasileiros.

Bem, neste momento alguns de vocês já devem estar reclamando “Mas porra, esse cara só sabe falar de mercado? Que tal falar da produção, da arte, do trabalho em si.” Ora, eu falo de mercado porque como eu expliquei até agora, infelizmente o atual cenário não permite que a maioria dos quadrinistas nacionais possam se preocupar apenas em produzir o seu trabalho, e que se foda o resto, do contrário, como ele vai conseguir viver do seus quadrinhos se não há mais ninguém pensando o mercado e fazendo ele acontecer?

Falar de quadrinhos é falar inevitavelmente de mercado, pois essa é uma arte inserida dentro de um ecossistema econômico e dentro de uma lógica comercial, por mais underground que seja seu trabalho. Pois como eu já expliquei em outro texto, até mesmo os quadrinhos underground formam um mercado próprio e que possui uma sinergia e um ciclo de desenvolvimento em conjunto com o mercado mainstream. E isso acontece não só com os quadrinhos, mas também com todas as artes que funcionam dentro da lógica do mercado cultural, como o cinema, a música, etc.

Por isso, o mercado só está indissociável do seu trabalho em si se: 1) você produz quadrinhos apenas por diversão para mostrar pros seus amigos e familiares, e não tem intenção de levar isso como profissão ou 2) você produz quadrinhos isolado numa ilha deserta pra você mesmo ler.

Se você não se enquadra em nenhum desses dois casos, discutir mercado é sim importante, essencial e inevitável, ainda mais se levarmos em consideração o atual cenário de quadrinhos onde a maioria dos quadrinistas não podem se dar ao luxo de apenas se preocupar em produzir seu trabalho, pois sabe que não existe outras pessoas preocupadas com todo o resto. Infelizmente, isso não existe ainda, e por isso o Quarto Mundo se faz necessário.

Então se você é como a maioria dos quadrinistas, que ainda não consegue viver apenas de fazer quadrinhos, infelizmente você não pode se dar ao luxo de dizer que o trabalho é apenas o que importa e que se foda o resto. Pois se você é como a maioria dos quadrinistas, que tem que trabalhar o dia inteiro em outras coisas pra poder pagar as contas, e só pode fazer os seus quadrinhos no horário em que você deveria estar dormindo, apenas se preocupar com a produção não irá mudar as suas condições fudidas de trabalho. Essas condições só irão mudar se você começar a se preocupar com todos os aspectos que envolvem a produção de quadrinhos, que envolve sim o trabalho e a produção em si, mas também o mercado e tudo mais. Só com essa preocupação com o todo é que os quadrinistas podem se organizar pra criar um que lhe de condições dignas de trabalho. Aí sim eles poderão apenas se preocuparem com suas produções de quadrinhos e não mais com o resto.

Mas então aí você também pode dizer “De que adianta as pessoas se organizarem pra distribuir melhor as revistas pelo Brasil inteiro se ninguém produzir mais revistas?” Ora, e quem disse que não tem gente produzindo? Nunca se produziu tanto quadrinhos nesse país, e 90% dessa produção é feita de forma independente. O próprio fato de haver uma organização como o Quarto Mundo é um grande incentivo aos quadrinistas produzirem, pois agora eles sabem que seus quadrinhos serão publicados, distribuídos e chegarão aos seus respectivos leitores, e não mais ficarão guardados pegando mofo dentro de uma gaveta. E esse fomento da produção pelo Quarto Mundo acontece não só na nova geração de quadrinistas, mas também nos veteranos. São vários os exemplos de quadrinistas veteranos, que desanimados com as infrutíferas tentativas anteriores de se forma um mercado, pararam de fazer quadrinhos e migraram pra outras áreas (principalmente os roteiristas), mas diante desse novo cenário favorável que a tem oferecido, voltaram a produzir. E cada dia que passa, mais e mais títulos de quadrinhos independentes vão surgindo, e isso tanto impresso, quanto online na Internet (o próprio Quarto Mundo publica uma página de quadrinhos por dia aqui no blog).

Neste ano de 2008 o Quarto Mundo publicou uma média de cinco títulos de quadrinhos por mês. É pouco? Sim, é. Mas isso já é mais quadrinhos brasileiros, e nos mais diversos gêneros e estilos, do que qualquer editora tenha publicado neste ano, ou nos anteriores. E a tendência é que essa média cresça exponencialmente para os próximos anos. E quanto mais quadrinhos são publicados, melhor vai se tornando a qualidade deles. Se olharmos para as últimas edições das atuais publicações independentes e compararmos com as primeiras edições delas, veremos claramente uma evolução de qualidade. Isso é óbvio, afinal, a cada novo número lançado, os quadrinistas vão aprendendo, concertando os erros, evoluindo, melhorando até atingirem um nível ímpar. Já podemos inclusive apontar algumas publicações que possuem esse alto nível de qualidade como é o caso da Café Espacial, da Graffiti, da Jukebox, da Zine Royale, da Nanquim Descartável. E as outras que ainda não possuem esse nível também vão chegar lá se continuarem publicando e evoluindo.

Se você ainda não conferiu nenhuma dessas publicações, então você pode comprovar a qualidade dos quadrinistas que participam delas por algumas das histórias que publicamos aqui mesmo no blog. É o caso de Desvio, Dia do Pinhão, Always Look on…, Poço, NeoQuadrilha, (Re)lapso, Tentáculos, 10 Centavos, Pipas, Fragmentos, entre outras. Se “o importante é ter o que dizer, é ter opinião, é ter um discurso no seu trabalho”, todos os autores das histórias anteriormente citadas possuem tudo isso e vocês podem conferir por vocês mesmos, basta clicar nos links e ler.

E todos esses autores poderiam muito bem cada um ficar no seu canto, apenas se preocupando com sua própria produção e dizer “foda-se o resto”. Mas não, ao invés disso eles resolveram se juntar, colaborarem entre si, e pensarem além de seus próprios trabalhos. Resolveram pensar na construção de um mercado que abarque a todos os quadrinistas que possuem qualidade pra fazer parte dele. E não apenas pensaram, mas colocaram as mãos na massa e começaram a construir eles mesmo esse mercado, já que ninguém mais se importou em fazer isso. Um mercado que permita que roteiristas, desenhistas, arte-finalistas, coloristas, letristas, enfim, todos os quadrinistas que fazem parte da produção de uma história em quadrinhos tenham condições dignas de trabalho e que possam ganhar no mínimo o suficiente para pagar suas contas.

E esse mercado vai acontecer. Vai demorar, mas vai acontecer. O plano mestre do Quarto Mundo para a construção desse mercado é de no mínimo vinte anos. Serão vinte anos publicando quadrinhos, distribuindo esses quadrinhos, procurando novos pontos de venda, formando novos leitores, incentivando os novos quadrinistas, e consolidando a produção dos veteranos. O Quarto Mundo fez apenas um ano de idade. Estamos apenas no começo. Ainda há dezenove anos pela frente para que o Quarto Mundo cumpra a sua missão e então deixe de existir.

É claro que apenas a ação do Quarto Mundo não será suficiente para a criação desse mercado. Seria no mínimo ingênuo pensar isso. Mas esperamos que as nossas ações inspirem os outros agentes do ramo de quadrinhos a também fazerem a sua parte, pois todos só tem a ganhar com isso, tanto os quadrinistas, quanto as editoras, quanto os livreiros-jornaleiros, quanto os leitores. E ao fim deste ano, percebemos que isso já está acontecendo, ainda que timidamente.

E se você aguentou ler até aqui, gostaria de saber a sua opinião sobre todo esse assunto que discuti, e principalmente sobre o Quarto Mundo. O que você espera do nosso para o ano que vem? Quais são os nossos defeitos, onde nós erramos? O que podemos fazer pra consertar? O que está faltando para nós fazermos? Que tipo de revistas em quadrinhos você sente falta e que poderiam ser publicadas pela gente? Que valor você acha justo ser pago pelas revistas? E pelos álbuns?

Enfim, a área de comentários abaixo está democraticamente aberta para vocês emitirem suas opiniões e darem seus recados. Para nós esse tipo de feedback é muito importante e necessário para que possamos aprender, e que assim a cada ano o Quarto Mundo continue crescendo e evoluindo.

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